Azul – Michel Pastoureau

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Um livro sobre a cor é algo curioso. Ainda para mais porque, neste caso, é sobre a cor, mas sobretudo sobre as diferenças culturais e científicas que levaram à diferente adopção do azul no vestuário e, mais tarde, na arte. Infelizmente a perspectiva é sobretudo ocidental, centrando-se bastante no Império Romano e, mais tarde, na época Medieval.

A cor não é uma coisa em si mesma, e ainda menos um fenómeno relacionado exclusivamente com a visão. Ela é apreendida juntamente com outros parâmetros sensoriais e, por isso, tonalidades e matizes não constituem aspectos essenciais.

Se o azul começou por ser, durante o Império Romano, associada aos povos bárbaros e, por isso, pouco usada ou comentada pelos romanos, durante a Idade Média começa como uma cor sem associação simbólica, por comparação com o vermelho, o preto ou o branco, cores que, associadas a personagens, conferiam automaticamente uma série de características e papéis estereotipados.

Só mais tarde, já adiantada a Idade Média (séculos XI, por exemplo) a cor começaria a ser usada e associada a brasões e bandeiras, ganhando lentamente adesão. O problema da cor continua, no entanto, a ser a dificuldade em arranjar tintas que consigam tingir com sucesso os tecidos. Não apenas nos tecidos. As tintas que existem e que são usadas artisticamente ou são demasiado caras ou instáveis, e por isso pouco usadas.

Cor que é considerada, durante muito tempo, neutra, pode ser usada por qualquer estrato social e económico em conjugação com as que lhes estão destinadas, ganhando maior adesão, vários séculos depois, com a ganga. É tipicamente a cor neutra de quem se quer manter na norma, a cor que não suscita especial relevância psicológica e, talvez por isso, aquela que é escolhida por uma grande maioria como a cor preferida.

Pela temática peculiar, Azul é daqueles livros que me pareceu interessante mas que peguei com receio por achar que se poderia tornar maçudo. Apesar de algumas pequenas repetições o autor disserta intercalando factos e factores, discorrendo com facilidade e vontade o que resulta num texto de leitura fácil e agradável.

Azul foi publicado pela Orfeu Negro.

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