A guerra é para velhos – John Scalzi

Publicado há alguns anos na colecção 1001 (e podendo ser encontrado pelo preço de 3,15€, ou ainda menos quando aplicada alguma promoção) é um livro de ficção científica num futuro tecnologicamente bastante avançado em que os humanos já conquistaram vários outros planetas. Mas no planeta Terra estes avanços tecnológicos são quase desconhecidos, detidos pela Agência Colonial. Para a exploração e colonização do espaço apenas são recrutados os seres humanos dos países mais pobres. Ah. E velhotes para integrarem as forças militares e poderem assentar noutro planeta depois de servirem alguns anos.

 

Porquê velhos? Ninguém na Terra sabe. Mas John Perry e a esposa vêm neste recrutamento a oportunidade de uma nova vida – decerto que ninguém precisa de velhos para lutar e com a tecnologia das colónias é possível que sejam rejuvenescidos e terão uma nova vida a dois. Os planos futuros vão por água abaixo quando a esposa colapsa na cozinha pouco tempo antes de poder enveredar pela nova carreira. Com menos um laço a prendê-lo à Terra John Perry decide prosseguir e deixar todos os bens terrenos.

O que encontra são outros velhos como ele. Dezenas. Centenas. Rapidamente se forma um grupo com algumas empatias e teorias sobre o que lhes irá acontecer. Desde que deixaram a Terra deparam-se com exibições fabulosas de tecnologia e esperam poder voltar a ser jovens – a realidade supera as expectativas. As suas consciências serão transferidas para novos corpos, geneticamente melhorados, que são muito mais musculados e perfeitos do que os originais alguma vez foram.

E o que fazem centenas de velhotes, agora jovens, atraentes e fortes, sabendo que os novos corpos são estéreis? Enrolam-se em qualquer lado com a primeira pessoa com que se deparam. Este período em que experimentam os novos corpos estende-se durante a curta viagem, no final da qual lhes explicam que existem várias guerras em curso e que terão de efectuar um duro treino militar. John destaca-se pela sua capacidade inventiva que deve à profissão anterior em campanhas publicitárias.

O grupo é separado mas mantém-se em contacto através dos AmigosDaMente – computadores portáteis que possuem ligação directa ao cérebro e aos quais é possível dar ordens sem recorrer a palavras. Cada pessoa dá um nome específico ao seu AmigoDaMente e os nomes não poderiam ser mais ofensivos, fruto do desconforto inicial que cada um sente pela invasão desta entidade no seu cérebro. Serão, no entanto, estes computadores que permitirão elevar a capacidade de guerra dos seres humanos para poderem enfrentar outras espécies.

Entre espécies que guerreiam por questões religiosas e ritual e espécies que procuram grandes vantagens tecnológicas, os seres humanos tentam conquistar o seu espaço com dificuldade. A taxa de mortalidade destas tropas é elevada e rapidamente o pequeno grupo de amigos diminui, fruto de pequenos acidentes ou confrontos bélicos. Surpreendentemente (e como não podia deixar de ser) a personagem principal mostra grande aptidão para soluções rápidas e funcionais que salvam dezenas de vida, destacando-se em quase todas as missões.

A Guerra é para velhos não é a melhor leitura de ficção científica dos últimos tempos (relembro que (re)li, entre outras coisas, alguns livros de Philip K. Dick, vários contos de revistas de topo ou Normal de Warren Ellis) mas é uma história com pontos tecnológicos originais, espécies alienígenas peculiares e a uma perspectiva solta que permite uma leitura relaxada e interessante.

Seguir o link para a restante obra do autor da imagem

Nota: Não aconselho a leitura deste livro em locais em que a faixa etária média ronda os 70 anos. Como um hospital. Ou um centro de fisioterapia. Falando por experiência própria, os olhares que o(a) leitor(a) obtém não são simpáticos.

2 pensamentos sobre “A guerra é para velhos – John Scalzi

  1. Talvez fosse de referir neste texto que a tradução, nesta edição da LeYa/1001 Mundos, esteve a cargo de Luís Filipe Silva…

    … E, sim, também a li – aliás, insere-se na colecção em que o meu «Espíritos das Luzes» igualmente se inclui. Trata-se, sem dúvida, de uma obra muito interessante, alternadamente excitante e comovente – por vezes em simultâneo, como quando o protagonista recebe o seu novo corpo.

  2. Pingback: Resumo de leituras – Dezembro de 2017 (3) | Rascunhos

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