Autora de obras conhecidas como The Lottery ou Sempre vivemos no castelo, Shirley Jackson escreveu, também, um dos mais conhecidos e reconhecidos livros de terror gótico, uma das melhores histórias de fantasmas do século XX, A Maldição de Hill House. À semelhança de Sempre vivemos no castelo ou das histórias curtas de Dark Tales, não esperem, em A Maldição de Hill House, um terror explícito, mas sim, algo que questiona as capacidades psicológicas e emocionais das personagens, e que joga com a percepção do leitor.

A Maldição de Hill House começa com um cientista, John Montague, que assumir um perspectiva científica no estudo do paranormal e que, para tal, convida várias pessoas para a realização de uma experiência. Dada a natureza da experiência quem lhe aluga a casa coloca como condição o envio do jovem futuro herdeiro da casa. A história centra-se numa das duas jovens que aceita o convite, Eleanor, que cresceu a cuidar da mãe inválida e de cuja morte se atribui a culpa por ter adormecido.

Após uma peculiar introdução da casa – Eleanor é a primeira a chegar e depara-se com o casal peculiar de caseiros que se recusam a pernoitar na casa – John Montague introduz ao grupo a peculiar história da casa. Construída por um homem que visa a prosperidade da sua família numa casa grandiosa, Hill House é palco de uma sucessiva série de infortúnios que resulta na loucura e morte de alguns dos seus anteriores moradores.

Mas não é só a história da casa que é peculiar. Construída como um labirinto de difícil percepção e orientação, Hill House possui uma série de ângulos e inclinações ligeiramente diferentes da construçao usual que provocam a impossibilidade de manter fechada uma porta, e a consequente confusão de quem lá circula.

Jogando com a interacção entre as personagens e a desorientante geometria da casa, A Maldição de Hill House apresenta uma série de fenómenos estranhos, sobretudo pela perspectiva de Eleanor que, já na infância, tinha sido centro de uma série de acontecimentos de teor duvidoso. Através da mente emocionalmente instável de Eleanor os acontecimentos são apresentados de forma dúbia e questionável, jogando, também, com a percepção do leitor e nunca fazendo com que se tenha a certeza da assombração.

Shirley Jackson tece, em A Maldição de Hill House, um inteligente puzzle sem resolução óbvia que deixa o leitor desorientado, como um mero espectador que poderá criar a sua própria conclusão dos acontecimentos a que assistiu.

A Maldição de Hill House foi publicado pela Cavalo de Ferro.