Novembro – Sebastià Cabot

Novembro é uma das histórias publicadas pela Levoir, em parceria com o jornal Público, na colecção Novela Gráfica. A novela começa por nos apresentar duas linhas narrativas, até se cruzarem. Por um lado, Gus é um aspirante a escritor que trabalha numa loja de discos para se sustentar – enquanto é confrontado com as duras críticas do seu melhor amigo, um rapaz que vai saltanto entre máscaras publicitárias. Do outro lado encontramos Clara que está numa maré de azar – dorme no sofá de uma amiga, mas vai ser expulsa e, após várias entrevistas de trabalho, não consegue encontrar um emprego com as condições de que necessita para ser autónoma.

O caminho de Gus cruza-se com o de Clara numa lavandaria, quando este ouve duas raparigas conversarem sobre a necessidade de encontrarem um quarto acessível e limpo. Bem, Gus tem um quarto disponível! A partir daqui os quatro (Gus, Clara e respectivos amigos) vão-se relacionando e criando cumplicidades, mas os relacionamentos não avançando nos melhores sentidos.

Comentando, de forma indirecta, a sociedade actual, as personagens vão criando novos laços, rápidos e efémeros, por meios de comunicação que nem sempre permitem uma verdadeira ligação ao outro, reflectindo a personalidade da própria pessoa, ou dificultando o estabelecer de relacionamentos duradoiros.

É esta realidade que Novembro explora, mostrando os problemas, entendimentos e desentendimentos de uma nova geração que vê os sonhos esfumarem-se ante uma negação de um empréstimo, ou a impossibilidade de arranjarem empregos e vidas estáveis. Por sua vez, o relacionamento com os progenitores não é dos melhores – as circunstâncias económicas mudaram e deixou de haver o mesmo paralelismo entre ordenado (ou possibilidade de emprego) e esforço.

A história vai contrastando duas componentes – por um lado encontramos relacionamentos amorosos instáveis e dificuldades de empatia entre diferentes gerações. Por outro, encontramos a nostalgia pelo romance cristalizado do passado, tido como perfeito, onde se deixa a impressão do “foram felizes para sempre”. Novembro cruza músicas e romance, filmes antigos e novas amizades para mostrar uma sociedade em mudança e adaptação, que transmite a sua própria mutabilidade a quem nela vive, sob a forma de instabilidade.

Novembro foi publicado pela Levoir, em parceria com o jornal Público, na colecção Novela Gráfica.

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