O Elmo do Horror – Victor Pelevin

O Elmo do Horror, de Victor Pelevin, foi publicado na colecção de Mitos, uma colecção em que participaram vários autores conhecidos (como Margaret Atwood com Penelopiad, também publicado em português recentemente) com o objectivo de recontar um mito clássico. No caso de Victor Pelevin reconta-se a história do Minotauro sob uma forma moderna – um chat de conversa.

O livro começa com a conversa entre vários humanos que se vêem fechados num quarto desconhecido, sendo que, nesse quarto, existe um computador em rede com os restantes, através do qual comunicam. O quarto responde a todas as suas necessidades mais básicas mas, claro, que as diferentes pessoas tentarão sair dos seus quartos e explorar o que os rodeia, com o objectivo de escapar.

No chat, em que partilham as suas experiências, assumem nomes de personagens míticas – nomes que não podem escolher mas que correspondem a elementos da sua personalidade (sendo que qualquer tentativa de dizerem os seus próprios nomes é censurada). Presos, partilham os seus sonhos e os detalhes da exploração fora dos quartos – uma exploração que é muito mais psicológica do que física.

Carregado de detalhes que, à primeira leitura, não percepcionamos, as várias personagens apresentam-se como estereótipos ganhando o nome de romances ou de mitos, representando ideias e posturas que se cruzam e se confrontam. À vez vão explorando os labirintos que os rodeiam, labirintos que são diferentes para cada um, labirintos que são controlados por uma presença assustadora, que é referida como o equivalente ao Minotauro.

Mais interessante pela forma como é apresentado, do que pelo conteúdo, não achei O Elmo do Horror uma leitura cativante, mantendo a leitura principalmente por causa do jogo de ideias, em que aproveita personagens míticas para explorar arquétipos e projecções psicológicas.

O Elmo do Horror foi publicado pela Elsinore.

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3 pensamentos sobre “O Elmo do Horror – Victor Pelevin

  1. Pingback: Novidade: O Mel do Leão – David Grossman | Rascunhos

  2. Curioso, mas não me surpreende que não tenhas cativado a ti, me faz lembrar o que “Cubo” começou (ao menos a mim), a história que isola seus protagonistas num local misterioso enquanto acompanhamos seu descobrir (e acabamos na maioria das vezes sem resposta definida).
    Mas me aguça a curiosidade ainda assim, apesar da ideia batida.

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