Batman – Cavaleiro Branco – Sean Murphy e Matt Hollingsworth

Publicado em Portugal pela Levoir em parceria com o jornal Público, este volume de Batman é outra das histórias de super heróis que desafia o que parece ser o comum no género. Se algumas narrativas saem da linearidade dando novas perspectivas sobre os super heróis, e outras mostrando outro lado dos vilões, este Cavaleiro Branco mostra um Batman obcecado, violento e devastador que poderá ser ainda mais prejudicial para a cidade de Gotham do que os próprios vilões.

Neste volume Joker cura-se através de uns misteriosos comprimidos. Deixando de lado o ar translocado, Joker transforma-se num homem que tem em vista os melhores interesses de Gotham, retomando o nome de Jack Napier. E decididamente, a forma de actuar de Batman, nas sombras, sem prestar contas a ninguém e não olhando a meios para prender um vilão, não se coaduna com o bem estar dos cidadãos mais pobres que facilmente acabam sem casa no meio de tais batalhas.

Jack Napier parece recuperar não apenas a sanidade, mas, também, o amor da sua vida, Harley Quinn. E rapidamente ficamos a perceber que a jovem que o acompanha no início da história não é a verdadeira Harley Quinn, mas uma jovem auto destrutiva que foi aceite por Joker e que viu, no vilão, uma nova forma de estar. Já a original, mais madura, é a tábua de salvação de Jack, que o mantém na linha para que possa desenvolver uma verdadeira carreira política, como salvador das pessoas mais pobres de Gotham.

Ao longo de 200 páginas acompanhamos uma história que desenterra segredos familiares e desenvolve o herói de uma forma pouco usual. Violento, obcecado pela vilania de Joker e não acreditando na sua redenção, Batman continua a lutar contra Jack Napier caindo em várias esparrelas políticas. Por sua vez, o Joker redimido mostra-se calmo e perspicaz, levando a polícia a considerar um novo modelo de acção para Batman – um modelo que visa criar uma verdadeira força policial pelo uso da tecnologia detida pelo herói.

Batman é, neste volume, retratado como uma força destruidora. Quem com ele se cruza acaba mental ou fisicamente afectado e quebrado. Tal como o anterior, o novo Robin questiona os métodos de Batman e como pessoa autónoma irá tomar a sua própria posição. Por sua vez, Batman parece responder com maior agressividade. As estratégias políticas de Jack deixam-nos frustrado, assim como descobrir que outros usam as suas batalhas com os vilões para obter avultados lucros.

Visualmente, este é, também, um volume surpreendente, oscilando entre momentos pausados, de instrospecção e exploração narrativa, em que se exploram as emoções com expressões faciais e posições corporais; e momentos mais movimentados com as esperadas batalhas em que acompanhamos trocamos de murros e explosões.

Mesmo para quem não segue as bandas desenhadas do Batman este é um volume aconselhável que consegue apresentar uma história profunda e complexa que se afasta da ideia cliché das histórias simplistas de super heróis – provando que o género permite bastantes variações narrativas.

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