Monika – Thilde Barboni e Guillem March

De capa provocadora e centrado numa mulher que se mascara e parece alterar a personalidade,  Monika é mais do que uma capa bonita, laivos de futurismo e de erotismo apesar do início carregado de cliché – uma beldade aluada que procura a irmã desaparecida, ao lado de um amigo de longa data que a ajuda e protege sem rodeios. Rapidamente percebemos existirem vários traumas familiares que, simultaneamente, unem e separam as irmãs.

Em poucas páginas a história adquiri mais profundidade e sentido, constituindo uma narrativa com vários episódios carregados de erotismo e acção que lhe dão um bom ritmo – o amigo encontra pistas que ligam o desaparecimento da irmã a um político em ascensão e Monika mascara-se para se fazer convidar para uma festa secreta onde este estará.

O que se sucede é o expectável. Monika aproxima-se do político com sucesso, atrai e é atraída. O tal político não será responsável pelo desaparecimento da irmã, mas acabam por se apaixonar apesar do relacionamento baseado em mentiras. Paralelamente, o amigo de Monika, que é uma espécie de cientista informático na clandestinidade atiça os inimigos errados e Monika constrói o seu projecto de arte que envolve explosivos – razão suficiente para ser, indevidamente, envolvida em atentados.

Visualmente agradável, a história de premissa quase vulgar, destaca-se pela forma como explora, tangencialmente, outros temas. Por um lado encontramos o desenvolvimento de uma Inteligência Artificial, recorrendo a métodos que pretendem mimetizar a aquisição de conhecimento de um humano. Por outro, encontramos obsessões políticas que se radicalizam rapidamente.

A investigação e as performances artísticas levam Monika a diferentes ambientes onde se mascara e parece adquirir uma nova personalidade. Com a máscara adquire-se uma nova atitude em espaços diferentes, que conferem diferentes nuances visuais. No seu estado natural Monika apresenta-se mais aluada e sensual pela simplicidade no penteado e no vestir (simples, mas subtilmente revelador). Já na festa os desenhos corporais e a pouca roupa, justa, conferem um aura mais cortante e uma consciência sedutora.

O desenvolvimento de uma inteligência artificial é um dos elementos de maior destaque no enredo, apesar de ser justificado por um facto cliché – o amigo de Monika é um cientista escondido que procura desenvolver novas invenções. Depois de um interface com um cérebro verdadeiro constrói-se um micro-sistema de eléctrodos para que o córtex motor consiga captar movimentos. O resultado é um andróide capaz de acção e julgamento – ainda que esta vertente não seja explorada em toda a sua potencialidade.

Monika é uma banda desenhada visualmente agradável que usa diferentes estratégias visuais para destacar alguns elementos (como cenários em que se destaca uma única cor). O foco do desenho e a sua coloração varia bastante ao longo da narrativa, reflectindo o estado de espírito a que corresponde. Ora se destaca a sensualidade da protagonista, ora a forma como não é mais do que um elemento na paisagem. Em termos narrativos é uma história interessante, com elementos futuristas mas que não chega ao patamar do excepcional.

Monika foi publicado pela Levoir em parceria com o jornal Público.

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