Premiado ou nomeado para quase todos os prémios que possam ser atribuídos à ficção especulativa, Philip K. Dick ficou conhecido na história da ficção científica por obras que viriam a gerar os filmes Minority Report e Blade Runner. Mas ainda que a sua carreira seja de sucesso junto dos leitores, o seu precurso profissional enquanto escritor não foi muito simples.

Este livro apresenta uma biografia em versão de banda desenhada, que passa por todos os momentos fundamentais do autor, interligando episódios pessoais com a concretização de obras – os vários casamentos e a quebra dos relacionamentos amorosos, o uso de drogas e a crescente psicose que o torna instável, quer a nível emocional, quer a nível profissional.

Desde cedo que Philip K. Dick demonstrou uma tendência para se afastar dos padrões académicos, escolhendo escrever ficção científica ao invés de enveredar por um percurso mais tradicional. O arranque da carreira da escrita foi lento, claro. Começou por ir vendendo pequenas histórias nas revistas da época, como The Magazine of Fantasy or Science Fiction ou Planet Stories e cedo começou a participar em encontros de ficção científica, onde conheceu outros grandes escritores do género.

Entre os encontros de ficção científica (onde criava ligações a outros escritores) e os romances falhados, a escrita vai sofrendo uma forte influência da peculiar visão da realidade, à qual se misturam as psicoses e as drogas. Estes dois elementos reflectem-se quer nas realidades criadas, quer em episódios mais psicadélicos que encontramos nas histórias.

Ainda que o visual seja um pouco estático (e algo aborrecido), a banda desenhada consegue captar os momentos fundamentais da vida do autor e referir, q.b. a sua relação com as obras. É uma narrativa carregada de curiosidades de Philip K. Dick, de leitura interessante, mas que não surpreende em termos visuais.