Se inicialmente, apesar de ter apreciado, achei a série O Mercenário um pouco datada, com posturas rígidas e expressões fixas e exageradas, com a progressão, o interesse tem aumentado, sobretudo pelo mundo construído, pelos elementos surpreendentes que vão aparecendo na narrativa. Esta diferença de interesse reflecte-se sobretudo pela velocidade com que pego no próximo volume, assim que é lançado. Os mais recentes volumes merecem bem este foco, principalmente o último que foi o que gostei mais.
O mercenário questiona tudo o que não sabe sobre a comunidade futurista em que se encontra. Coincidentemente, a possibilidade de perceber as origens dos seus benfeitores vem com a passagem, involuntária, para um mundo totalmente diferente – um mundo onde quase todos os seres humanos terão perecido por conta das suas invenções. É aqui que encontra um dos últimos homens que tenta fugir para outro mundo, pois para além de ter ficado sem pares, é ameaçado por entidades que agora dominam a Terra.



Se, até agora, a série oscila entre os elementos de ficção científica e fantasia, com avanços tecnológicos mas, também, com magia, este volume afunda-se mais na vertente de ficção científica, ainda que existam muitos elementos subentendidos. O mercenário viaja para uma realidade paralela que vai possibilitar perceber como o mundo pode acabar, resultado da destruição dos seres humanos, que utilizam as suas invenções para resultados mais catastróficos. Tal como seria de esperar, sendo o Mercenário um homem de acção, a narrativa apresentará os seus confrontos, bem como as decisões difíceis que terão de ser tomadas pelas personagens.
Estando o mundo original da personagem em perigo, mas ainda assim, carregado de maravilhas naturais, com cenários perigosos, mas também com criaturas extraordinárias, existe um confronto com o mundo para o qual viaja involuntariamente, hostil e agressivo, perigoso para seres humanos desprotegidos, quer pelo próprio ambiente tóxico e contaminado, quer pelas figuras demonizadas que tentam controlar o pouco que existe.



Tal como noutros volumes da série, o autor aproveita a premissa para desenhar cenários impossíveis e fascinantes. Neste caso, desenvolvendo o ambiente negro que a história permite, mas também construções típicas de ficção científica com cidades de formas estranhas ou submarinos de contornos mais actuais, com cenários particularmente opressivos e detalhados.
Este volume distingue-se pela abordagem mais futurista, e pelas revelações que são apresentadas, ainda que nos deixe com mais questões sobre o mundo principal onde decorre a história. Em termos narrativos opta por um caminho ligeiramente diferente dos restantes, ainda que existam, claro, elementos que encaixam no padrão usual dos episódios. Agora é aguardar ansiosamente pelos próximos.




