O Barão Trepador – Italo Calvino

Num tópico sobre outro livro do autor, existe já uma introdução bibliográfica.

Neste conto fantástico, Cosimo, filho do Barão de Rondó, num gesto de revolta, decide viver no cimo das árvores e não mais pisar o chão… numa promessa que dura mais que o efémero fulgor da juventude idealizado pelos pais.
Constroi então o seu mundo na copa das árvores – as distâncias passam a ser vistas consoante os ramos, o seu dia-a-dia enquadrado na vida da floresta e as necessidades humanas satisfeitas por meio de mecanismos que lhe permitem manter-se no ar.

Lá de cima, Cosimo ve e escuta tudo, aproveitando a sua posição para ajudar os que o rodeiam, transmitindo recados, fornecendo abrigo, vigiando as matas dos fogos e dos perigos diversos que podem esconder.
Àparte do local onde vive, Cosimo não impõe outras restrinções na sua vida – continua a ter as lições com o abade, a ler vários romances, a divertir-se… embora fora de casa, sem a família que várias vezes tentou traze-lo de volta ao lar, mas sem sucesso…

Cosimo é uma personagem interessante, obstinada, que usa a sua imaginação não só em diversas tarefas, mas para contar e recontar as histórias por si vividas, e como quem conta acrescenta um ponto, as histórias vão-se tornando cada vez mais mirabolantes.

Conjuntamente com a história de Cosimo, assistimos, ainda, a um pouco da história política do país – como país vizinho de França, nem o grito de liberdade, nem as guerras napoleónicas passam totalmente despercebidas nas terriolas italianas. Mas, apenas espreitamos estes acontecimentos em breves referências dispersas.

Esta é uma história que principia com a forma sonhadora e idealista com que a personagem corta as amarras e se distancia, não só da família, mas no modo de ver o mundo. Tal como noutros contos, também este vai adquirindo alguma tragicidade com o crescimento da nossa personagem – com a escolha tomada, Cosimo enfrenta não só um diferente modo de vida, mas a solidão e a incompreensão dos que o rodeiam, por, aos olhos dos outros, se ter tornado tão diferente. Não sem algumas vantagens, Cosimo tem uma visão distanciada e completa que lhe permite mais facilmente soluccionar problemas e chega mesmo a corresponder-se com  alguns dos maiores filósofos da época por não ter com quem discutir algumas das questões existenciais que vão surgindo. 

O Barão Trepador é o segundo dos 3 contos fantásticos que trouxeram reconhecimento internacional a Italo Calvino.
Tendo somente lido algumas primeiras páginas de outros livros deste escritor italiano, comparativamente achei que a escrita neste conto não era muito marcante ou ritmada.

Mas o que torna o conto especial é a história em si –  uma personagem obstinada, não especialmente simpática, mas interessante e sonhadora que vai contornando as contrariedades de forma extraordinária; uma personagem que vai sendo mais marcada pelas suas vivências pouco comuns.

Num mundo de sonhos e ideais construído por Cosimo, em que o dramatismo impera progressivamente, esta é uma história forte mas diferente, carregada de imaginação e repleta de episódios imprevisíveis.

4 comments

  1. ja li esse magnifico livro, e não posso deixar de de afirmar o tao maravilhoso que ele é. É daqueles livros que merecem ser lidos e relidos até a última pagina!
    São historias assim que nos despertam o gosto na leitura, e nos dao asas à imaginação…

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