Henrique VIII (1491-1547), segundo rei da Dinastia de Tudor, é conhecido pelos seus inúmeros casamentos, nos quais as suas esposas perdiam literalmente a cabeça. O primeiro casamento com Catarina de Aragão termina, no entanto, de outra maneira – anulado por não originar descendentes masculinos, mas somente aquela que seria Maria I, Henrique VIII implementa o Protestantismo, à luz do qual se casa com a segunda esposa. Desta união nasce Elizabeth I.

Ironicamente, a últimas das suas esposas, Catherina Perr é também conhecida como a rainha que mais vezes se casou, tendo somado 4 maridos durante o seu reinado.

O Livro

A história tem início após o segundo casamento de Henrique VIII, com a sedução de Elizabeth (filha de Ana Bolena), pelo padrasto, à qual assiste Hannah, filha de um vendedor de livros.
Hannah, de origem judia é uma fugitiva da Inquisição de Espanha, onde terá padecido a sua mãe. Tenta passar despercebida usando roupas de rapaz, mas o seu dom de antever o futuro atrai a atenção de uns clientes de seu pai, entre os quais Robert Dudley. Levada para a corte torna-se no Holy Fool depois de confrontar o rei com a sua pouca esperança de vida – verdade disfarçada pela corte.

Mas não se fica pelo seu papel de bobo – trabalhando como espia para Dudley, Hannah é enviada para servir Maria, a irmã mais velha do rei, a possível herdeira do trono.

Entre servir Maria I, a possível herdeira Elizabeth, e Robert Dudley, Hannah permanece na corte, e durante as curtas visitas ao pai, inicia contacto com o noivo que não aceita o papel dúbio e perigoso da sua prometida.

Ao longo do livro vamos assistindo aos tempos conturbados do reinado de Maria I, às várias tramas de intrigas que se tecem em torno do trono, e simultaneamente ao medo vivido pela comunidade judaica escondida na Inglaterra, em que se queimam todos aqueles que possam seguir uma fé diferente da estabelecida – uma altura em que a fé “correcta” muda com o monarca.

Apesar de não conhecer previamente a história da dinastia Tudor (só por alto), gostei do retrato feito da época, mas achei o papel de Hannah (personagem fictícia) pouco verosímil – judia, fugida de Espanha, acaba por tornar-se numa das principais confidentes da rarinha apesar de conhecida a sua lealdade a Robert Dudley (conhecido como traidor e envolvido nas tramas para depor a rainha).

E este acaba por ser, para mim, um dos principais pontos fracos do livro – ao querer recontar a mítica história da família Tudor, Philippa Gregory acaba por cair nalgumas incongruências.