Eis o mais recente livro da Illumicrate, pela subscrição Starbright, uma escolha de livros de ficção científica que já incluiu livros como Slow Gods de Claire North ou Overgrowth de Mira Grant. Neste caso, trata-se de um livro que não se encontrava no meu radar, mas que proporcionou uma boa leitura no género da Space Opera, com espaço para viagens no tempo e primeiro contacto com alienígenas.
A história vai saltitando entre diversas personagens com perspectivas opostas ou complementares, dando também lugar a Jitterbug, o nome da nave onde decorre a maior parte da acção. A acção decorre num futuro em que a humanidade já colonizou outros espaços no sistema solar – mas não sem ajuda externa. Há algumas, poucas, gerações, uma força desconhecida destruiu os maiores planetas do sistema solar, como Júpiter e Saturno, e reconverteu-os em enormes esferas habitáveis, para onde se deslocam os seres humanos.
Agora que a humanidade se espalhou pelo Sistema Solar, utilizando estas esferas, existe lugar para novas profissões e novos crimes, com o surgir de piratas do espaço, comerciantes espaciais, mas também a caçadores de recompensas. Copernicus Brown é o jovem capitão da Jitterbug, tendo herdado a nave do pai comerciante. No entanto, poucos confiavam num jovem capitão de uma nave mercante, fazendo que a tripulação se tenha voltado para outros negócios, neste caso, caçadores de criminosos para obterem as recompensas associadas.



Estas missões levam-nos a explorar as zonas mais recônditas do Sistema Solar e é exactamente no seguimento de uma missão que ao prestarem socorro a uma nave atacada por piratas, salvam uma jovem de comportamento suspeito. Em contrapartida, são atacados por uma nave militar furtiva e nem todos a bordo sobrevivem. Este episódio leva-os a obter um objecto com informação secreta, muito procurado e, consequentemente, a estarem no centro das atenções dos importantes acontecimentos que se sucedem.
A partir daqui, a história desenvolve-se com uma sucessão de episódios de acção, por vezes de perigo elevado, com perseguições, piratas, atentados e conspirações, que darão o ritmo e a tensão à história. A alternância entre personagens distribui a centralização da acção, e confere um entendimento maior dos acontecimentos, apresentando perspectivas distintas, algumas de pessoas que não pertencem à tripulação. Estas personagens são, no entanto, pouco desenvolvidas e pouco trabalhadas, existindo uma exploração dos seus passados, apenas na medida em que estes episódios permitem explicar acontecimentos actuais, e contribuindo, apenas pontualmente, para a compreensão das personagens (existem, até, aspectos na redenção que parecem um pouco forçados e demasiado optimistas, mas que encaixam na globalidade positiva da história).
Para além das personagens humanas, seguimos também a própria nave, Jitterbug, animada por uma inteligência artificial com livre arbítrio, apesar de agir dentro dos interesses dos “seus” seres humanos. O seu avatar físico assume o aspecto de um papagaio, uma aparência que lhe permite parecer pouco ameaçador, e passar despercebido na superfície de planetas, onde a sua existência apresenta contornos mais ilegais ou questionáveis.
Ainda que o foco seja, fundamentalmente o desenvolvimento da acção, a história aborda de forma secundária o controlo de informação e as conspirações a nível interplanetário. Como é habitual em futuros onde a humanidade habita vários planetas, questiona-se a relação entre os interesses públicos, a forma como os políticos os endereçam e os interesses privados financiados por personagens ocultas ou grandes corporações, com manipulação da opinião pública.
Jitterbug é uma história competente no entretenimento dentro do sub-género Space Opera, proporcionando uma leitura acessível, de passo acelerado proporcionado pela sucessão de episódios de acção e a alternância de personagens. Para além da aventura apresenta pouca introspecção, mas completa a componente Space Opera com um puzzle de viagens no tempo que é explicado no final (se calhar demasiado explicado) com detalhes que talvez fossem desnecessários. É, no entanto, uma aventura despretensiosa e fácil, que é aconselhável a quem procura uma montanha russa composta por capítulos intensos e não pretenda grandes questionamentos filosóficos.


