Restrição calórica e longevidade – relação directa ou indirecta…

Vários estudos têm sido efectuados nos mais vários organismos, desde leveduras (Saccharomyces cerevisiae) , moscas (Drosophila melanogaster)  ou Caenorhabditis elegans; que pretendem correlacionar directamente a longevidade com a restrinção nutricional.

Segundo estes estudos uma dieta rigorosa com baixa ingestão de calorias levaria a uma maior esperança de vida nos animais estudados. Conclusão recente que, em pouco tempo, talvez devido às modernas modas, se tem quase tornado um dogma.

Semana passada saiu um artigo na Science relacionado com estes estudos, que levanta nuances interessantes nesta questão. Será mesmo resultado da ingestão calórica ou estaremos face a uma relação causa efeito de intermediários desconhecidos?

Put a fruit fly on a near-starvation diet, and t is likely to live much longer than its wellfed cousins. But if it smells food odors, some of the life-stretching effects of the diet disappear

 

Descobre-se assim um importante papel do olfacto na vida de, pelo menos, moscas…

So far, no evidence indicates that scent regulates vertebrate life span. However, says Kenyon, that the effect occurs in animals as distantly related as nematodes and flies indicates it could. Another unknown is whether other smells shorten longevity. And Pletcher notes that the presence of life-extending and life-shortening sensory neurons in nematodes “suggests that we could find odors that increase life span.”

Perspectiva interessante esta, de que determinados odores poderiam aumentar a nossa longevidade… Mas é melhor não comentar…

9 comments

  1. wow, muito interessante. Tenho que me lembrar disto quando cheirar petróleo ou diluente. Adoro tanto o cheiro, mas deve fazer tão mal.

    “And Pletcher notes that the presence of life-extending and life-shortening sensory neurons in nematodes “suggests that we could find odors that increase life span.” >>> O Perfume podia ser reescrito com isto, lol

  2. muito interessante realmente, mas antes de comentar o post peço licença para fazer um pequeno comentário ao comentário anterior.

    Anima, eu não tirava assim tão de pressa a conclusão de que um cheiro desagradável seja um

    redutor de tempo de vida. afinal o exemplo redutor anterior parece ser um cheiro agradável o que por si não nos garante nada, mas convém talvez ir mais devagar. 🙂

    e aqui entramos no que me ocorreu dizer em relação ao assunto do post em si. isto mais uma vez parece vir demonstrar precisamente que ainda somos muito ansiosos em ciência a tirar conclusões demasiado rápidas de resultados que vamos obtendo. Ou talvez não tanto a esfera cientifica, mas a imprensa, essa seguramente tem dificuldade em apanhar o espírito.

    já agora, sem ter directamente a ver com o post, gostei de ter encontrado o teu blog porque talvez me dê a oportunidade de colocar uma questão que tenho andado a tentar formular. Vamos ver como sai. E ocorreu-me falar isto aqui por ter lido a area do trabalho de investigação que fazes.

    Acho que podes ser uma boa pessoa para criticar a minha ideia. Preparada? aviso que isto vai entrar na metafisica, ou melhor, vai entrar no campo daquelas coisas que uma pessoa à partida diria, isso é tão maluco que nem é preciso provar nada. Talvez, aqui vai. O que eu gostava de saber era como será que se poderia provar que dois pedaços de tecido do mesmo organismo comunicam. o que eu gostava de tentar criar era uma experiencia do genero das que se fazem aos mediuns e adivinhos colocando este isolado de outra pessoa e levando-o a adivinhar a carta que o outro está a ver, mas com tecido vivo. Sabemos que as células sensoriais iniciam impulsos eléctricos que chegam ao cérebro, mas eu queria algo mais simples e queria separar um pedaço de tecido de um organismo, manter os dois vivos e assegurar-me que realmente eles não comunicam. Não queria simplesmente me satisfazer com o convencer-me que não há forma deles comunicarem por isso nem vale a pena tentar. queria fazer de advogado do diabo e pensar: realmente não conhecemos forma disso ser possivel, mas isso não quer dizer que a natureza não saiba mais do que nós.

    bem, desculpa lá estar para aqui a ocupar o teu espaço, tenho de passar isto para o meu blog. Mas já agora, isto sugere-te algum comentário? ou está tão mal explicado que nem dá para perceber nada?

  3. Relativamente ao comentário de Anima Within, teve origem numa brincadeira sobre o assunto em conversa eheh 🙂

    Brigado pela visita

    Bem, as célulsa do nosso corpo comunicam-se de diversas formas, sendo uma delas uma forma de corrente eléctrica produzida por diferenças de potencial, e outra através da libertação de substâncias químicas que fornecem um determinado sinal dependendo do contexto tecidular e celular. Assim sendo, uma mesma mensagem é interpretada como uma ordem diferente dependendo da célula que a capta.

    Se considerarmos o primeiro caso, é normal que seja necessário contacto, visto que a corrente eléctrica precisa de condutor para se propagar.

    No segundo caso, não necessita de haver contacto directo entre as duas células, basta que se encontrem num mesmo meio líquido.

    De qualquer maneira, com contacto, sem contacto é necessário isolar tecido vivo, sendo que este tem um tempo de vida muito limitado quando isolado do organismo. Depende do tecido que queiras isolar. Com tecido nervoso é relativamente fácil isolar de uma rã e extrair um nervo inteiro, mantendo-o em meio líquido, mas passado pouco tempo (cerca de 1H) não obtens nenhuma resposta.

    Quanto a células podem-se fazer culturas celulares, mas tal é extremamente díficil, moroso e necessita de material e condições especiais….

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