Entusiasmada com a leitura de O Segredo do Bosque Velho, depressa adquiri outro do mesmo autor publicado pela Cavalo de Ferro – O Deserto dos Tártaros. E gostei tanto deste como do anterior, o que nem sempre é possível se um autor se colar tanto a um estilo que um segundo livro nada traz de novo. Este, no entanto, é mais sólido, mais melancólico e simultaneamente, implacável.

Num forte isolado na fronteira, a surrealidade reina e a vida parece suspensa. Os oficiais destacados eludem-se eternamente, deixando-se prender pela rotina e pela ilusão de uma idílica glória numa grande batalha. Com o tempo, a posição militar ocupa o expoente máximo da vida destes homens incapazes de admitir que não é por sua vontade que permanecem no forte. Assim, Giovanni Drogo deixa passar os melhores anos, antecipando o momento que nunca mais chega e perdendo na rotina diária, o tempo, a vontade e as perspectivas de vida.

Dada a premissa existe neste livro maior espaço para o desenvolvimento de um discurso filosófico essencilamente existencialista e talvez por isso, tenha achado O Deserto dos Tártaros mais melancólico e implacável que O Segredo do Bosque Velho, mas também mais sólido e coerente.