Alguns lançamentos nacionais para o ano de 2018 – parte 2

Mas não são só as pequenas editoras com a Saída de Emergência e a Editorial Presença que publicam fantasia e ficção científica no arranque de 2018 (como anunciado na parte 1).

A Relógio d’água já anunciou, para Janeiro, novo livro de Philip K. Dick, desta vez de Sonhos Eléctricos, uma antologia de contos do autor que terão inspirado uma série de ficção científica com o mesmo nome que está a ser lançada agora. Tendo lido alguns livros do autor recentemente, realço os jogos que constrói com a memória e a percepção da realidade, demonstrando que aquilo que perpecionamos é uma construção da mente. Mas não só. Vários dos contos do autor também se centram na tecnologia e na inteligência artificial, na capacidade de programação das máquinas que desempenham acções de acordo com o previsto sem capacidade de adaptação ou variação às circunstâncias.

Mais conhecido por Versículos Satânicos (que não li) surpreendi-me com um livro do autor, Dois Anos, Oito Meses e Vinte e oito noites (que é como quem diz, 1001 Noites). O que encontrei foi uma prosa fantástica que segue diversas personagens, fazendo colidir as várias linhas narrativas num romance envolvente que lança um piscar de olhos à ficção científica e aos heróis de banda desenhada.

O livro mais recente do autor é A Casa Golden, e parece ter uma premissa menos exótica, centrando-se nos Estados Unidos da América e aproveitando os eventos mais marcantes da sua história. O lançamento em Portugal está previsto pela Dom Quixote para Abril.

 

Shirley Jackson tornou-se uma das minhas autoras favoritas com Sempre vivemos no Castelo (publicado pela Cavalo de Ferro), mas foi The Lottery que mostrou o quão impacável a autora poderia ser. Já agora, The Lottery é uma das histórias distópicos mais brutais que tive oportunidade de ler (e não foram poucas).

A Cavalo de Ferro tem programado, para Fevereiro, o lançamento do seu livro mais conhecido, A maldição de Hill House, considerado como uma das melhores histórias de fantasmas de sempre.

Se Shirley Jackson é uma das minhas autoras favoritas, Dino Buzzati é um dos favoritos, tendo lido praticamente tudo o que foi publicado em português deste autor. Depois de O Segredo do Bosque Velho, que se encontra na minha lista de favoritos de todos os tempos, li O Deserto dos Tártaros (um dos seus livros mais conhecidos) e rapidamete tive de pegar em tudo o resto. A editora Cavalo de Ferro planeia lançar, durante o primeiro semestre de 2018, 60 contos, uma colectânea com os melhores contos do autor.

Pássaros na boca de Samantha Schweblin será re-editado pela 20|20. Trata-se de uma colectânea de contos da autora com toques de horror e de fantástico, relembrando, por vezes, contos tradicionais. O tom e a forma vai variando ao longo dos contos constituindo uma colectânea com histórias excelentes e outras que, aquando da leitura, não me interessaram tanto.

Ainda pela Cavalo de Ferro está previsto o lançamento de Prémios de Julio Córtazar. Trata-se do primeiro romance do autor que se centra nos vencedores de uma lotaria estatal (habitantes de Buenos Aires). O prémio é um cruzeiro de destino desconhecido. Logo após o início da viagem são informados de que uma doença se espalhou a bordo, pelo que devem permanece confinados numa zona do navio.

 

Solaris, de Stanislaw Lem, é um clássico de ficção científica com uma grande componente filosófica que se centra na memória, na experiência e na comunicação entre seres humanos e espécies não humanas. O livro será lançado em Fevereiro pela Antígona com introdução de Alberto Manguel.

Para os fãs de Tolkien será publicado Beren e Lúthien. Trata-se de uma edição da Planeta com ilustrações de Alan Lee. O conto será publicado 100 anos depois de ter sido escrito e terá tido especial significado para o autor, dado que na sua campa está gravado o nome de Beren e na da sua esposa, Lúthien.

 

Um dos clássicos da ficção científica, A Guerra das Salamandras terá uma nova edição em português pela Antígona, previsto para 11 de Junho. Neste clássico uma outra espécie sapiente habita a Terra, uma espécie de salamandras que acabam por ser escravizadas pelos humanos. A época de subjugação das salamandras não durará para sempre – unem-se sem diferenças ideológicas contra os seres humanos para a sua própria independência.

O projecto Hogarth Shapespeare convidou uma série de autores a re-interpretar ou a entrelaçar as histórias de Shakespeare noutras ficções. Margaret Atwood, mais conhecida pelo seu romance A História de uma Serva (recentemente adaptado para série televisiva) escolheu Tempestade para escrever este Semente de Bruxa (Hag-seed no original).

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