Ainda que a palavra Ghoul apareça no dicionário traduzida como vampiro, um ghoul é uma criatura bem diferente. O termo pode ser utilizado em quem roube campas ou se delicie com o macabro, mas é mais apropriado para designar uma espécie de monstro pouco conhecido e oriundo do folclore árabe.

Segundo as lendas, Ghoul seria uma criatura que habitaria cemitérios, desertos ou outros locais isolados, com capacidade de tomar diferentes formas, mais vulgarmente a de uma hiena. Da sua alimentação fariam parte cadáveres, crianças ou adultos.

Muito utilizada em histórias fantásticas e de horror, podem encontrar-se referências a ghouls em obras de Poe, ou Stoker, ainda que tenham sido muitas vezes confundidos com zombies ou vampiros.

Mais conhecidos serão os ghouls de Lovecraft, que teriam origem em seres humanos mutados por uma dieta em cadáveres.

Baseando-se neste conceito de ghoul, Brian McNaughton escreveu uma série de contos em torno destas criaturas, que viveriam no sub-solo, em túneis de montes isolados ou cemitérios, constituindo um género de sociedade desordeira e macabra, cujo interesse na espécie humana não se fundamenta só na alimentação mas também na sexualidade.

O conjunto de contos ghoulianos, assim como outros fantásticos de horror constituem o livro Throne of Bones, que ganhou o World Fantasy Award. E foi esta a minha última leitura.

Como não poderia deixar de ser, as histórias encontram-se carregadas de detalhes macabros e horripilantes, de humanos que ao fascinarem-se por ghouls, neles se transformam, ou em suas presas acabam – pessoas de hábitos fúnebres, homens consumidos pela loucura ou jovens assassinadas de ascendência ghouliana. Às vezes os ghouls conseguem ser mais sólidos do que alguns humanos.

No meio de tudo isto, a forma como McNaughton conta as histórias consegue torná-las fascinantes e até divertidas, havendo sempre lugar a reviravoltas irónicas. No final, deixa a velha sensação de quando se lê algo de quem sabe contar histórias “Há mais?”.