Kalpa Imperial – Angelica Gorodischer

Angelica Gorodischer, argentina, apesar de ter escrito vários contos de FC, fantasia ou crime, é mais conhecida por Kalpa Imperial, obra de onze contos traduzida para o inglês por Ursula le Guin e contemplada com os prémios Sigfrido Radaelli, Más Allá e Poblet.

Kalpa Imperial retrata um Império extenso que ninguém conseguiria percorrer de ponta a ponta no tempo de uma vida, um Império que nasce e renasce, que se renova como uma Fénix. Sucedem-se imperadores e dinastias, guerras e períodos de paz – na maioria das vezes o trono é herdado, noutras é tomado pela força ou pela intriga. Como seria de esperar, uns governam para o bem do povo, outros pretendem governar bem mas tomam as decisões erradas.

O Império existe num Mundo em tudo semelhante ao nosso – não existem seres fantásticos, nem tecnologias avançadas; tudo o que lá existe é-nos conhecido, desde desertos, a montanhas, cidades ou animais. As pessoas, por sua vez, possuam também ocupações comuns: contadores de histórias e artistas, comerciantes, viajantes ou ladrões.

É neste mundo que decorrem as várias histórias que constituem Kalpa Imperial, histórias que se sucedem cronologicamente e que em comum possuem o tom em que são contadas (como lendas ou fábulas) e o pano de fundo: o Império.

Uma Imperatriz de origens humildes deambula pela cidade, livre sem guarda-costas, um ladrão vê-se líder de uma batalha, um Imperador ordena a construção de uma cidade em honra da amante; estas são algumas das histórias que compõe o livro.

Todos os onze contos são fragmentos de uma história maior, a do Império imenso que nunca existiu. Bem contados, lembram pequenas fábulas que nos deixam, no final, a vontade de ler mais histórias em torno do mesmo Universo.

Os interessados podem encontrar excertos disponíveis online:

Portrait of the Emperor

The End of a Dynasty or The Natural History of Ferrets

The storyteller said: He was a sorrowful prince, young Livna’lams, seven years old and full of sorrow. It wasn’t just that he had sad moments, the way any kid does, prince or commoner, or that in the middle of a phrase or something going on his mind would wander, or that he’d wake up with a heaviness in his chest or burst into tears for no apparent reason. All that happens to everybody, whatever their age or condition of life. No, now listen to what I’m telling you, and don’t get distracted and then say I didn’t explain it well enough. If anybody here isn’t interested in what I’m saying, they can leave. Go. Just try not to bother the others. This tent’s open to the south and north, and the roads are broad and lead to green lands and black lands and there’s plenty to do in the world — sift flour, hammer iron, beat rugs, plow furrows, gossip about the neighbors, cast fishing nets — but what there is to do here is listen. You can shut your eyes and cross your hands on your belly if you like, but shut your mouth and open your ears to what I’m telling you: This young prince was sad all the time, sad the way people are when they’re old and alone and death won’t come to them. His days were all dreary, grey, and empty, however full they were.

6 comments

  1. Obrigado por teres indicado o conto ” The End of a Dynasty or The Natural History of Ferrets”
    Lê-se muito bem e faz com que se fique com vontade de ler o livro.

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