Stratos – Miguelanxo Prado

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Stratos é um pequeno volume publicado pela Meribérica / Liber onde se reúnem vários episódios que, num contexto futurista servem de crítica à sociedade actual. À semelhança de outros do autor como Crónicas Incongruentes, são episódios onde o exagero cria situações inusitadas de cómica mordaz.

Não se perceba pelo tom que o formato comum se torna aborrecido ou que a fórmula já conhecida resulta em algo menor – ainda que não ache o conjunto excelente (apenas bom) possui momentos memoráveis.

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O livro começa com um episódio entre operários. A fábrica em que trabalham funciona de acordo com um sistema manhoso já conhecido, em ciclos de despedimento e contratação que visam diminuir do lado do empregador despesas e deixar do lado do trabalhador a incerteza e a precariedade.

O que destaca este episódio é a amizade desfeita entre dois trabalhadores de secções diferentes. Enquanto se martiriza por ter achado uma forma mais produtiva de organizar a fábrica que irá levar ao despedimento do amigo, o outro aproveita-se dessa mesma forma achando que assim salvará o seu emprego.

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Entre os episódios onde as trocas de favores e influências são comuns e as consequências de erros e falcatruas são minimizadas pelas sedução ou pela força política, encontramos um arquitecto dispensável numa expedição de gente muito importante (presidentes, generais e umas meninas acompanhantes) que acaba abandonado no meio da savana, alvo de ameaçadores selvagens; ou uma esposa boazona que é usada como penhor para a concessão de uma linha de crédito.

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O cenário futurista e o exagero cumprem a função de alienar da realidade que conhecemos, permitindo depositar a dura crítica enquanto assistimos ao ridículo das situações excessivas.

Apresentando formato e sentido de humor semelhantes a Crónicas Incongruentes, é impossível não fazer uma pequena comparação com este Stratos percebendo que no primeiro os episódios são paralelos (de construção e objectivo semelhantes, mas com poucos pontos de conexão), e que neste Stratos os episódios se sobrepõem em camadas hierárquicas de desconstrução social. O conjunto funcionou melhor com Crónicas Incongruentes por conta da maior constância de formato e tom, não obrigando a episódios que se liguem forçosamente utilizando personagens comuns.

2 pensamentos sobre “Stratos – Miguelanxo Prado

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