Nights of Villjamur – Mark Charan Newton

Nights of Villjamur é o primeiro e ainda único volume de uma série fantástica da autoria de Mark Charan Newton. Decorrendo numa realidade diferente da nossa, apresenta-nos uma história numa sociedade quase medieval demarcada pela típica separação de classes: nobres, soldados e povo. Para além desta estratificação podemos encontrar pequenos grupos no Império de características peculiares: os inquisidores, os cultistas, os antigos ou os banshee.

Os inquisidores são os membros da Inquisição, uma organização com autoridade incontestável, responsável por investigar qualquer actividade ilícita, onde os cargos mais elevados apenas podem ser ocupados por membros da espécie sapiente, rumel, dada a sua maior longevidade. Por sua vez, os cultistas são uma espécie de magos que obtêm o seu poder a partir de relíquias de proveniência desconhecida, que podem organizar-se em guildas consoante a forma como estudam e exploram os poderes mágicos. Velhos e muito cultos, os antigos são seres enormes, observando passivamente o decorrer dos acontecimentos. Por último, os banshee são pessoas sensíveis a todas as mortes que ocorrem na cidade, entoando gritos sempre que tal acontece.

Num mundo de ilhas, a cidade de Villjamur ocupa uma posição importante como capital de um Império, cidade onde vive o Imperador, um homem de meia idade que enlouquece a pouco e pouco até se suicidar, após a emboscada de um dos seus exércitos, por acreditar que será assassinado em breve. Com esta morte aumenta a instabilidade: o poder é passado para a filha mais velha, exilada; torna-se necessário retaliar a emboscada militar sofrida recentemente; e grandes multidões aguardam fora da cidade, com a esperança de poderem um dia entrar na cidade, para obter abrigo e alimento.

Mark Charan Newton não cai em paternalismos: ao contrário de outras obras semelhantes, não nos maça com enormes descrições das espécies sapientes que criou, dando-nos apenas pequenas pistas que nos ajudarão, com a passagem das páginas, a visualizar as personagens. Ainda que inicialmente pareça apenas mais uma aventura num mundo medieval e mágico, vamos apercebendo-nos que o equilíbrio de poderes e as características dos mágicos não são comuns: nem estes têm um papel demasiado central. Por sua vez, da história fazem parte algumas personagens fortes e carismáticas, e é através destas que visualizamos os acontecimentos.

No entanto, e apesar de ter achado a leitura interessante, nem tudo são rosas em Nights of Villjamur:  ainda que possua aspectos interessantes, o cenário é pouco explorado e pouco descrito, constituindo uma falha que leva à menor familiarização do leitor. Por outro lado, sente-se que as personagens são empurradas para determinados actos, como forma de dar à história um determinado rumo.

Apesar dos aspectos menos positivos, a história ganha força e ritmo com o decorrer das páginas, com alguns desenrolamentos inesperados, o que me faz antecipar o próximo volume.

8 comments

  1. Deves querer escrever maça do verbo maçar e não massa de substantivo (alimentício) 😉

    Mas este apanhou-me de surpresa, passou-me debaixo do radar. Gotta check it out.

  2. Apareceu em muito lado como um dos debuts de 2009 (apesar de não ser o primeiro livro do autor :S).
    Thanatos – querer queria dizer arroz. ou batata frita. mas o esparguete ficava ali melhor 🙂 gracias. corrigido.

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