Eclipse 4 (1)

eclipse 4

Esta grande colectânea de ficção científica e fantasia costuma auspiciar grandes leituras fazendo com que as expectativas deste volume fossem elevadas. Apesar de possuir boas histórias, raramente são excepcionais, fazendo com que a colectânea fosse, na sua globalidade, uma desilusão. Mas eis comentários mais detalhados.

O conjunto abre com Slow as a Bullet de Andy Duncan, a história engraçada de como um homem conseguiu ser mais rápido do que uma bala, usando todos os métodos possíveis para, ao invés de correr mais, tornar a bala muito mais lenta – uma tarefa metódica que irá constituir o grande feito da sua vida.

Segue-se uma estranha história onde um buraco negro começa a crescer numa mulher, em Tidal Forces de Caitlin R. Kiernan, e The Beancourter’s Cat, uma história que começa muito bem quando uma rapariga é visitada por um gato modificado geneticamente, capaz de falar inteligentemente, mas perde-se numa ideia demasiado diferente em ambiente e conteúdo do seu início, que quebra rapidamente o interesse do leitor. Story Kit de Kij Johnson parece mais um exercício de escrita do que propriamente uma história.

Finalmente, uma história interessante – The Man in Grey de Michael Swanwick, em que o palco do mundo se revela, e se mostra a existência de algo mais por detrás da vida dos meros humanos, um grupo de seres responsáveis por manter o palco e a farsa constante. Um conto excelente em torno de uma jovem que permanece quase em frente ao comboio, mas sem dar o passo – até que algo fora do sítio no palco a faz percorrer os escassos centímetros. É nesta altura que um ser pára a acção e se revela, corrigindo o erro.

Em Old Habits de Nalo Hopkinson, outro grande conto desta antologia, os mortos revivem o momento final todos os dias à mesma hora. Excepto este reviver diário, têm todo o restante tempo disponível para deambular no centro comercial onde morreram, sem saber se existe algo mais lá fora. História negra e pouco esperançada, um pequeno pesadelo eterno e repetitivo.

Estamos em maré alta – o conto que se segue, The Vicar of Mars de Gwyneth Jones é também excelente, centrando-se num padre alienígena que resolve averiguar uma residente de Marte que vive isolada da civilização. Um conto lovecraftiano em solo marciano de horror não falado, que decorre em constante expectativa.

Um pensamento sobre “Eclipse 4 (1)

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