Europa 2049 – Joel Puga

Europa 2049

Recentemente li algo sobre como somos mais críticos com o produto nacional. Apesar de achar que tal é verdade, quando leio contos de autoria portuguesa, gostaria que estes tivessem a qualidade internacional das melhores histórias – o que é difícil dada a escassez de publicações sérias e a falta de algo que lá fora é considerado bastante importante, um editor.

Posto isto, este conto de Joel Puga é ousado. O autor tem publicado em diversos géneros, conseguindo agradar bastante com algumas histórias. A Saga de Eu é uma história sobrenatural contada em episódios em torno de um herói peculiar que utiliza cenários e histórias bem portuguesas. Não sendo o género sobrenatural dos meus favoritos, aconselho Fantasias Negras e Outras Histórias, um conjunto de tom negro e finais penosos, com figuras demoníacos e vampiros, de elementos nada juvenis.

Isto tudo para realçar que, desta vez, o autor arrisca no género da ficção científica, apresentando uma história que decorre em Europa, a lua gelada de Júpiter, onde os humanos terão descoberto uma espécie inteligente de animais semelhantes às medusas terrestres. A troco de espelhos baratos recebem valiosos metais – até que começam a ser atacados por outro grupo de animais.

A morte de dispendiosos trabalhadores e as perdas em cada ataque baixam significativamente a margem de lucro. Como resposta, a companhia que explora aqueles recursos contrata um estratega militar para diminuir as perdas. A tensão é elevada – deste homem dependem os postos de trabalho e as vidas de várias pessoas, mas a informação de que dispõe é demasiado escassa. Sem que se tenha percebido a forma de comunicação dos alienígenas, nem informação adicional sobre o seu modo de vida, as ataques sucedem-se, sem solução à vista.

A premissa é interessante e possibilita episódios de acção intercalados com outros de maior calma e introspecção. Algumas frases não fluem à velocidade devida (precisavam de ser limadas) mas com o continuar da leitura são detalhes ultrapassáveis. Finalmente, o final deixou-me a sensação de ser uma saída airosa para terminar a história, sem necessariamente a resolver – o que poderia ser totalmente aceitável se durante a história tivéssemos recebido um enquadramento que justificasse esse final.

Como disse, somos mais críticos com os autores portugueses. Se eu pensar nalguns dos contos publicados em revistas estrangeiras, existem alguns cuja história me agradou menos. O que este precisava, na minha opinião, era maior coesão para me fazer engolir o final e limar alguns detalhes na personagem para a tornar mais credível. Quando o comparo com outros contos de FC portuguesa, é um conto arrojado, que saiu da zona de conforto e pegou numa temática difícil.

Um pensamento sobre “Europa 2049 – Joel Puga

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