Echoes Vol.1 – Joshua Hale Fialkov & Ransan Ekedal

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A série data de 2011 mas tem este mês nova edição pela Image, num único volume onde se conta toda a história. Pertencente ao género de horror contemporâneo explora os receios de um homem a quem foram diagnosticados problemas psicológicos concretizando, na história, as acções que tenta controlar.

Tudo começa quando ouve as últimas palavras do pai, que sofreria do mesmo mal, onde lhe indica uma morada e um local onde deverá descobrir algo. Receoso, o que encontra é bastante pior do que poderia imaginar – uma série de bonecas feitas de restos humanos de várias crianças desaparecidas.

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Se, no seguimento do diagnóstico psicológico semelhante ao do pai, já teria medo de ferir alguém, entre as visões provocadas pela ansiedade e a tentativa de o controlarem com medicamentos, após descobrir as bonecas é acometido por falhas de memória, não se recordando de alguns longos momentos do seu dia.

A sensação de descontrolo piora quando uma das raparigas que teria visto num parque desaparece e, na sua caixa de correio, encontra uma encomenda com uma boneca novinha em folha. Vendo-se questionado pela polícia decide, ele próprio, investigar um pouco mais sobre os últimos dias do pai.

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Com a esposa grávida, a personagem principal revela-se um homem consciente dos seus problemas e temeroso de ferir alguém no seguimento de algum episódio psicótico. Educado, charmoso, parece esconder nele um verdadeiro monstro que não consegue controlar.

E estes são os grandes momentos de terror em que associamos cenários de grande violência e maldade a um homem comum e simpático, até charmoso, pelo qual não conseguimos deixar de sentir alguma afinidade.

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Aqui está uma leitura verdadeira arrepiante que nos coloca na expectativa de um verdadeiro monstro que pode estar escondido sob qualquer cara, sob qualquer personalidade realmente empática ou afinal construída com um intuito voraz.

Sem querer deixar escapar elementos que podem arruinar a leitura, acrescento apenas que, tendo apreciado a história de terror apresentada, é a reviravolta moralmente correcta que estraga o final da narrativa, entregando-nos uma solução previsível e deixando de lado o horror mais profundo.

*** SPOILER ALERT ***

Agora sim, posso deixar escapar o que me arruinou o final. O inspector que segue o homem é uma personagem escorregadia e suspeita que se aproveita dos problemas mentais do homem para o culpabilizar. E o final teria sido tão mais brutal se o homem simpático pelo qual simpatizamos fosse o verdadeiro monstro, numa espécie de Jeckyll e Hyde, onde apagões mentais justificassem os episódios psicóticos.

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