A Feiticeira de Florença – Salman Rushdie

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Dois anos, oito meses e vinte e oito dias, o último livro publicado de Salman Rushdie foi o livro que me levou a pegar em algo mais do autor. Quando peguei no primeiro estava à espera de algo diferente, talvez quase brutal – depois de tanta polémica em torno dos livros, o que encontrei foi um autor que usa o exotismo de outras culturas e de outros tempos para nos apresentar a história fantástica e irreal de várias personagens que se entrelaçam das formas mais incríveis e fascinantes.

Apesar de ser menos coeso em propósito que Dois anos, oito meses e vinte e oito dias, A feiticeira de Florença centra-se em três amigos de infância que seguem caminhos muitos distantes na vida. Não. A Feiticeira de Florença centra-se na vida de uma bela princesa que andava sempre acompanhada por uma, também, bela, serva a quem chamam de Espelho. Não. A Feiticeira de Florença segue … Bem, acho que já perceberam a ideia. A Feiticeira de Florença segue várias personagens ao longo de várias décadas e apesar do título diria que nem é a bela princesa que tem o papel principal nesta longa e fascinante trama.

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Apresentando-nos cenários tão exóticos como o Império Mogol de Akbar ou a Florença governada pelos Médicis, ou a Península Ibérica repartida com os mouros, baseando-se em factos históricos misturados com lendas e mitos fantásticos, a história começa quando um estrangeiro aparece na corte de Akbar dizendo-se um familiar perdido do Imperador, descendente de uma princesa escorraçada da história.

Para além das circunstâncias suspeitas em que o estrangeiro apareceu naquelas terras, a sua reivindicação deixa o Imperador desconfiado – claro. Nada que sonhos e conversas com as esposas não resolvam (inclusivamente com a esposa imaginária que por todos é reconhecida como sublime). Finalmente o estranho é acolhido e dá azo às suas elevadas capacidades intelectuais – ou não fosse ele um europeu trapaceiro acostumado aos mais diversos truques.

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Paralelamente vamos descobrindo a história da princesa, feiticeira, perdida na história, uma mulher detentora de vários e poderosos feitiços que consegue instalar-se em Florença e ser tratada quase como Santa. Mas os seus poderosos feitiços não irão durar para sempre. Se, no início, é capaz de realizar milagres, fascinar homens e apaziguar os ciúmes das mulheres, com o tempo o desgaste leva à corrupção da sua magia e à desgraça de todos os que a seguem por amor.

Para além destas duas histórias é-nos apresentado o percurso de três amigos de infância que, crescendo em circunstâncias diferentes, se afastam mas não se esquecem da sua amizade. Juntos são três importantes peões nos acontecimentos que rodeiam Florença.

Apesar de ter apreciado a escrita e o tom fantástico dos acontecimentos relatados, em ambientes exóticos onde não se impõem limites à imaginação, onde as personagens inventadas são tão reais e respeitadas quanto as personalidades existentes e onde um homem se pode perder fisicamente num quadro, achei que A Feiticeira de Florença carece de um fio condutor mais definido, alongando-se em histórias paralelas que pouca importância têm para o cenário global. Ainda que estas histórias paralelas sejam um factor determinante em caracterizar o ambiente e fascinar o leitor são, por vezes, demasiado exaustivas.

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