Cães da Pradaria – Philippe Foerster e Philippe Berthet

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No final do século XIX o interior americano era um local carregado de misérias, onde a doença e os muitos acidentes marcam a vida de uma maneira irreversível. Órfãos que se vêem arrastados para uma nova realidade, desprotegida, crianças abandonadas por terem origem em amores impossíveis e bandidos que, caindo no mundo o crime por uma sucessão de episódios, conseguem revelar mais humanidade que os supostos justiceiros, cegos pelo fanatismo.

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Em época de doença as crianças sempre foram o elo mais fraco. Dependentes da protecção dos adultos, desprovidas de meios e de autoridade, são muitas vezes o resultado de amores indevidos e acabam por ser abandonadas ou maltratadas. É o caso de um rapaz surdo-mudo que, depois de ter sido abandonado pela mãe, é adoptado, em bebé, por um casal. Não pensem que o casal tinha boas intenções – a vivência do rapaz é marcada por trabalhos pesados e maus tratos. Mas ao menos tinha um tecto.

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A história começa com o relato de Calamity, relato este sob a forma de carta para a filha que terá abandonado por ter condições para a cuidar. Transportando uma série de órfãos numa noite escura, encontra-se com J.B. Bone, um bandido honrado que transporta o caixão do seu companheiro do crime ao longo de vários quilómetros para o enterrar junto da falecida amada.

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No dia seguinte, quando se separam, o rapaz surdo-mudo fica para trás e começa a seguir J.B.Bone. Relutante e desagradado pela presença do rapaz, o bandido tenta dissuadi-lo de o seguir, mas decorridas algumas noites habitua-se à silenciosa presença, com quem conversa sem obter resposta. Mas a sua viagem não há-de ser pacífica. O parceiro de J.B.Bone terá morrido num assalto perpetuado por ambos e, em sua perseguição encontra-se uma expedição de objectivos mistos – impor a justiça e obter a recompensa pela cabeça de Bone.

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A subversão de estereótipos é evidente. O bandido perseguido faz todos os esforços para cumprir a palavra dada ao amigo falecido e acaba por se afeiçoar ao rapaz. Já os homens que o perseguem revelam-se menos honrados, na fronteira da violência que agora podem ultrapassar justificados com a recompensa pela cabeça de Bone. Excepto Salomon, um homem que se julga reger pelas leis de Deus, de moral rígida que pretende apagar as provas da sua fraqueza.

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Apesar do clima duro, Cães da Pradaria revela-se em relato bastante mais emotivo do que esperava, uma reviravolta carregada de esperança depois de atingida a ruptura da tensão crescente de violência, revelando uma realidade que, sendo quase desprovida de possibilidades, ainda contém espaço para um final feliz no meio de tanta desgraça.

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