Esta é a obra que se diz, mais ou menos sorrateiramente, ter influenciado a série Star Wars. Existem algumas semelhanças em cenários e situações, mas pessoalmente acho a linha narrativa bastante distinta. Valerian, a personagem principal é um agente que viaja no tempo para salvar o mundo do domínio de um vilão.

Num futuro distante a maioria dos cidadãos vive num estado de sonho constante, uma espécie de paraíso simulado. Neste futuro foram descobertas viagens instantâneas no tempo e no espaço, o que permite o teletransporte para qualquer ponto desejado, ou o descobrir de qualquer século. Valerian é um dos agentes responsáveis por agir em caso de disrupção temporal.

A primeira história leva-nos para a Idade Média, onde um vilão do futuro se fez transportar para, com os segredos de um poderoso mago, aprender a controlar os que os rodeiam. É aqui que Valerian conhece Laureline, a jovem que o irá acompanhar também como agente nas restantes aventuras.

Já a segunda história leva-nos para os anos 80 o que, tendo em consideração que foi escrita em 68, significa que, na época, perspectivava-se o futuro. E este não podia ser mais negro. O nível das águas subiu consideravelmente e a cidade de Nova Iorque encontra-se quase submersa, cada vez mais afundada pelos sucessivos tsunamis. Grupos armados pilham os edifícios e Valerian tem de se esquivar várias vezes para conseguir localizar o verdadeiro vilão do tempo.

De imagens bem detalhadas acompanhadas por longos textos, Valerian é um livro de banda desenhada de aventuras para se saborear. O texto ultrapassa o discurso directo e explicativo, com frases de estrutura mais complexa e elegantemente tecida do que é usual. Conseguindo, até, gozar com alguns estereótipos em relação às mulheres (a personagem feminina não é a “normal” burra que apenas existe pelas curvas) Valerian revela-se uma banda desenhada inteligente mesmo na primeira aventura que é mais simples em estrutura.

A série Valerian está a ser publicada em Portugal pela Asa em parceria com o jornal Público.