Central Station – Lavie Tidhar

A Tel Aviv do futuro é uma cidade sem grande controlo ou regras, onde os seres que por lá andam subsistem com um código próprio, entre a pobreza e os fantasmas de várias guerras. Nem todos são humanos. Alguns são robots ou humanos roboficados que perderam grande parte das suas memórias, outros são inteligências totalmente artificiais sem corpo. Mesmo os humanos possuem capacidade intrínseca de se ligarem aos aparelhos eléctricos que os circundam porque todos vêm com ligações de nascença.

Bem. Nem todos. Um homem não possui essa capacidade e vive diariamente com a barreira da comunicação – é que estas ligações servem, inclusive, para que os humanos comuniquem entre si. Quando se apaixona por uma espécie de Vampiro moderno, uma mulher cujo sistema se encontra infectado por um vírus que suga os dados dos humanos que a circundam, vê-se incapaz de satisfazer essa necessidade que atormenta a mulher como se fosse uma drogada.

Simultaneamente, o primo, médico, retorna a Tel Aviv e encontra a amante com uma rotina muito diferente da de anos anteriores – cuidando de um rapaz prodígio capaz de manipular o tempo e o fluxo de dados que o rodeia. Como ele existem outros, espalhados, pequenos deuses em desenvolvimento, constituindo, talvez, o próximo passo evolutivo dos humanos.

Com pequenos toque de ironia sobre a extensão da tecnologia (que produz elevadores conversadores a que os tripulantes querem escapar, mas não o podem fazer até chegarem ao seu destino) Central Station apresenta seres humanos que se fundiram à tecnologia mas que, ainda assim, continuam humanos – com paixões e receios, com desentendimentos e com o ultrapassar de determinadas barreiras éticas por curiosidade, mas, também, com personagens altruístas.

Ligeiramente caótico e sombrio em atmosfera, Central Station é sobretudo uma história humana num futuro distante em que a tecnologia é extensa mas não apresenta um glamour fascinante, antes uma evolução de possibilidades que nos parecem tão estranhas a nós quanto às personagens que mostram observação e ponderação.

Com diversos prémios e nomeações, Lavie Tidhar há muitos anos que deixou de ser um autor em início de carreira, passando a ser um nome reconhecido no meio sobretudo pelo impulso da ficção especulativa judaica (com a edição de antologias como HebrewPunk, Jews Vs. Zombies, Jews Vs. Aliens). Em Central Station este legado é mais óbvio e mostra uma história totalmente diferente das que já tinha tido oportunidade de ler.

Outras obras do autor

3 pensamentos sobre “Central Station – Lavie Tidhar

  1. Pingback: Resumo de leituras – Agosto de 2017 (3) | Rascunhos

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s