Kickstarter – to back or not to back

Todos os dias surgem iniciativas apelativas, quer a nível de jogos, quer a nível de livros. É uma forma bastante interessante de garantir a viabilidade de um projecto e de conseguir um exclusivo por bom preço. Em Portugal recordo dois exemplos de sucesso: H-Alt e E-Primatur (que usa a angariação como parte do modelo de negócio para dar acesso aos livros por menor preço para quem apoia antecipadamente).

A nível de livros, a minha experiência tem sido muito positiva. Apoiei alguns livros de autores iniciantes, bem como a publicação de edições especiais que acabaram por dar acesso a todos os números anteriores da revista Lightspeed, uma das revistas que mais aprecio na ficção científica. Ainda na área dos livros, recordo, também, o livro de Becky Chambers, The Long Way to a Small Angry Planet,  que foi publicado inicialmente neste sistema, mas que teve tanto sucesso que a Hodder & Stoughton comprou os direitos da trilogia e já vai no segundo volume.

O n.º1 no boardgamegeek é o Gloomhaven, um jogo que foi lançado por Kickstarter

Se, por um lado, as boas intenções de quem lança o kickstarter não são garantia de que o projecto seja bem concretizado ou, sequer, de que seja concretizado, por outro há quem queira aproveitar-se deste método de angariação para apenas realizar dinheiro fácilsem intenção de entregar seja o que for. Existe sempre um risco associado ao dinheiro investido. No caso dos livros, os valores costumam ser  baixos, principalmente se estivermos a falar de uma versão digital. Já no caso dos jogos de tabuleiro, os valores podem rondar facilmente os 100€ e convém ter maior cuidado a seleccionar os projectos.

O apoio a jogos ou livros em fase de plano pode ter bons retornos. Dou o exemplo recente de Everdell que chegou recentemente a casa dos investidores antes do esperado, e que tem recebido grandes elogios. Por outro lado, existem outros que se atrasam largos meses, ou que simplesmente desaparecem com o montante angariado.

Blood rage encontra-se no 23º lugar no top

O que provocou esta entrada? O recente flop do Overturn. Graficamente apelativo, com excelente apresentação , a iniciativa parecia ter tudo para dar certo e chegou a atingir o valor necessário. Mas alguns apoiantes reconheceram o texto de apresentação de outro jogo, bem com o livro de  regras. Depois desta quebra de confiança, as respostas dos angariadores também não foram satisfatórias. A iniciativa terminou com a própria plataforma a cancelar a angariação.

Overturn

Mais recentemente, outra iniciativa gerou polêmica – apesar de citar nomes conhecidos na indústrica e, até, uma boa editora, a combinação com ser um projecto indie está a levantar suspeitas, sendo que novos olhares mais atentos captaram nomes mal escritos e, novamente, incoerêncas nas respostas dos organizadores.

Os sinais suspeitos são mais evidentes nalguns casos (e no caso de Overturn, não fosse terem copiado textos de outros jogos, duvido que tivessem sido percebidos) e eis alguns óbvios:

Angariadores sem referências no meio

Quer no mundo dos livros, quer no mundo dos jogos de tabuleiro, os possíveis autores costumam ser conhecidos no meio – nem que seja localmente. É de estranhar se os nomes não aparecerem associados a mais iniciativas ou não forem referidos por pessoas da mesma comunidade.

Referência a autores ou editoras

Algumas editoras utilizam esta forma de financiamento para o lançamento de projectos para os quais o orçamento anual não chega. Quem apoia estes projectos normalmente tem a garantia de saber que existe uma equipa mais profissional por detrás, sabendo que estarão a pôr em causa os restantes projectos da empresa caso não concretizem o do Kickstarter.

Se o projecto que pretendem apoiar tiver referência a autores ou editoras conhecidas, mas estes não tiverem publicamente apoiado o projecto, o melhor é entrar em contacto directo e questionar se possuem relação com o projecto. Caso não tenham, decerto irão denunciar a falsa menção.

Projectos sem referências de valor elevado

Caso o projecto não tenha relação com autores conhecidos e estiverem a pedir um valor avultado para um grande projecto, também desconfio. É raro alguém totalmente novo no meio começar por projectos megalómanos. No mínimo, tenta envolver outros com conhecimento. Se a iniciatia mencionar bloggers, o melhor é perguntar o quão bem conhecem os organizadores ou a iniciativa, e que material receberam para a avaliação. Decerto respondem – até porque ninguém quer ser associado a um projecto que burla investidores.

Muito por pouco

Outro sinal de alerta (associado a falta de referências ou referências não verificadas) é a oferta de grande qualidade e quantidade de elementos por pouco montante. Ou, no caso dos livros, de grande qualidade de impressão por valores absurdos. Principalmente se não existirem razões óbvias para isso.

Outros projectos dos mesmos autores

E claro – verificar se existem projectos anteriores das mesmas pessoas e pesquisar informação de como correu a entrega e comentários sobre o produto final.

Questionem

Têm dúvidas em relação à entrega? Ou de como irão concretizar o projecto? Questionem. Alguém que tenha um projecto bem pensado não terá problemas em responder e justificar valores ou datas. É o dinheiro do investidor que está em causa.

Um pensamento sobre “Kickstarter – to back or not to back

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