Moonshine – Vol.1 – Brian Azzarello e Eduardo Risso

Uma das mais recentes apostas da G Floy é Moonshine, uma série que andava a querer adquirir há algum tempo e cujo título se refere às bebidas destiladas produzidas ilegalmente, sem autorização do governo. Ainda que estas bebidas tenham sido, recentemente, legalizadas nos Estados Unidos da América, foram, durante décadas proibidas.

A história decorre durante a lei seca, período durante o qual se proibiram as bebidas alcóolicas. Durante este período não se deixou de beber álcool, claro, mas a proibição incentivou o contrabando e, consequentemente, as máfias que o comercializaram. Na prática, o consumo passou a alimentar uma indústria clandestina onde os gruos oponentes se mantinham de forma violenta.

Moonshine acompanha um mafioso menor, Lou Pirlo, um género de moço de recados que não tem jeito para fechar grandes negociações, mas que é enviado à Cordilheira dos Apalaches com o objectivo de fechar um acordo com um produtor local de uma excelente bebida branca.

Trata-se de um local montanhoso, onde os acessos são difíceis mas caracterizado, sobretudo,  pelos grupos de homens que se formam, pequenos feudos violentos, auto-suficientes e muito competitivos que estão constantemente em guerra entre si e que ignoram, sempre que podem, os poderes locais de autoridade. Quando não podem ignorá-los, eliminam-nos.

Lou Pirlo está habituado à violência das máfias das grandes cidades. Mas nem isso o prepara para a loucura que presencia nestes locais. A competitividade é elevada, a polícia é facilmente morta, e o homem à frente do grupo rural não está assim tão interessado num acordo com a máfia. Lou Pirlo passa a estar entre a vontade do seu patrão, que teme, e a recusa do chefe local. Acaba por se aliar com familiares deste que pretendem contrariar a vontade do patriarca. Mas claro que isto tem um preço.

Moonshine opõe formas de violência e formas de pensar muito distintas – de um lado encontramos o luxo da cidade e a violência movida pelos elevados lucros do negocio, do outro encontramos o bruto meio rural cuja violência é gerida por clãs familiares e para quem o lucro é uma forma de sustento.

É neste confronto que surge uma forma de violência mais carnal, sob a forma de um lobisomem cuja origem desconhecemos, mas que introduz um elemento selvagem, incontrolável e imprevisível. Em pano de fundo encontramos os outros: os afrodescendentes que vivem isolados e descriminados mas que conseguem ser mais civilizados, ou os locais que vivem entre esta violência numa postura de sobrevivência.

A história decorre num mundo de sombras, visuais e sociais, em que a acção se sucede por medo ou por vontade. É uma história carregada de violência, mas em que esta violência decorre da existente à época, e que os autores aproveitaram para traçar a sua história.

O resultado é uma banda desenhada forte, com mais elementos narrativos do que seria de esperar e menos linear do que o tema me fazia prever – ainda que cumpra alguns clichés típicos mas justificados (até pelo retrato de época) e que tenha um final que pede algo mais. Aconselho bastante para quem gosta de histórias que retratam a violência rural do interior americano.

Moonshine foi publicado pela G Floy.

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