Eis um dos lançamentos deste ano da Asa que me surpreendeu pela positiva. Não sendo perfeito, apresenta uma premissa intrigante, movimentação e um final composto, onde a personagem passa por uma transformação de auto-descoberta e crescimento emocional.
A personagem principal é uma jovem mulher, Camélia, que, um dia, descobre um livro num banco do jardim e começa a lê-lo. Intrigada com o aparecimento do livro, tenta deixá-lo ao próximo leitor, mas vai sendo surpreendida pelo retorno do livro, sendo, a cada volta, acrescentadas frases adicionadas pelo autor. Estando num relacionamento que se tornou monómomo, previsível e pouco romântico, o mistério em torno do livro apresenta-se como uma ligação emocional a alguém sensível, fazendo com que o relacionamento em que se encontra se revele cada vez mais insatisfatório.



A história vai oscilando entre a investigação de Camélia, na busca do autor do livro – uma pesquisa que a leva a estabelecer novos relacionamentos, alguns duvidosos ou constrangedores, mas outros que parecem ser o primeiro passo para novas amizades. Simultaneamente, Camélia decide-se a trilhar outro caminho na sua vida, deixando o namorado e descobrindo novos objectivos e focos.
Um livro esquecido num banco faz-se de encontros e desencontros, com a busca de algo entusiasmante, sendo que a personagem procura algo mais do que o relacionamento caído na monotonia, ou quase uma indiferença rotinada. A busca de alguém que poderá apresentar uma excitação intelectual leva, neste caso, também à busca de si próprio, e Camélia vai desenvolver a sua personalidade e impor aquilo que realmente pretende da sua vida. A busca torna-se numa auto-descoberta com ilusões e desilusões.



O resultado é uma história relativamente simples e, até, linear, centrada numa única personagem que vê, nas mensagens trocadas através do livro, uma quebra ao quotidiano, uma excitação que já não tinha na sua vida, e que a leva a quebrar com algumas decisões e procurar algo mais. A busca proporciona não só o mistério e a excitação, mas também é o motor da acção, fazendo com que seja uma leitura movimentada, com poucos momentos assumidamente introspectivos. É, em suma, uma leitura agradável que cumpre o papel de lazer.
