Fraternity – Juan DíAz Canales e José Luís Munuera

Apesar de um título inglês, esta banda desenhada de autores espanhóis foi publicada originalmente em França pela Dargaud. Ao contrário do que é usual, não encomendei esta banda desenhada pela internet, mas na livraria Cult. que tem, neste momento, à disposição, o catálogo de várias editoras espanholas – e não só de banda desenhada.

A escolha deste livro específico não é difícil de imaginar – Juan Díaz Canales é o autor de Blacksad, encontrando-se aqui numa história de registo bem diferente, um misto de história com realidade alternativa, em que se imagina a fundação de uma sociedade igualitária no meio do território dos Estados Unidos, durante a Guerra da Secessão.

Mas esta sociedade igualitária, fundada com princípios que recordam um comunismo (com partilha dos bens produzidos por todos) está em decadência, demonstrando-se, logo no início que uns são mais iguais do que outros. Existem órgãos de governação, claro, mas nestes não encontramos a representatividade esperada, nem em termos de género, nem em termos de raça.

Dois acontecimentos contribuem para aumentar o sentimento de que uns merecem mais do que os outros: a descoberta de uma criança selvagem no meio da floresta, e a inclusão de um esquadrão de soldados afro-descendentes que são vistos, por alguns, como tendo direitos interiores. Esta fraternidade está em lento colapso e o definhar físico do seu fundador não ajuda a que se restabeleça um novo equilíbrio.

Tal como em Blacksad, o autor desenvolve uma narrativa movimentada, usando-a para uma crítica social em pano de fundo, ora através de comentários, ora levando as personagens a agir de forma diferente por razões associadas à estrutura social. Neste caso, a narrativa tem pouco de investigação policial, movendo-a por recurso a conflitos que se desenvolvem entre as personagens.

Em termos visuais, Fraternity apresenta um tom sóbrio, talvez demasiado uniforme, em páginas que oscilam entre os cinzentos e os castanhos pastel. Ainda que as cores não sejam exuberantes e transmitam um ambiente soturno, achei o desenho excelente, variando entre perspectivas e cativando expressões e posturas de forma adequada.

A narrativa é movimentada e capaz de cativar o interesse do leitor. Oscila entre personagens, dando uma perspectiva mais alargada em termos de história, mas sem dar uma visão tão próxima que nos permita criar uma ligação mais próxima. E este é o ponto que, para mim, evita que considere esta leitura como excelente, classificando-a, somente, como boa.

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