Family Tree -Vol. 2 – Lemire, Hester, Gapstur e Cody

Jeff Lemire é dos meus autores favoritos de banda desenhada. Ainda que nem sempre em termos de desenho (se o olhar dissociado da narrativa), as histórias que compõe costumam conter elementos que as elevam quase ao nível mitológico. Vi estes ingredientes em acção em Descender, em Sweet Tooth ou até em Gideon Falls. Mas não no primeiro volume de Family Tree, uma das mais recentes séries do autor – demasiado acelerado, pouco focado nas personagens mas excessivamente centrado em nos apresentar a premissa.

A História

Noutras séries, Jeff Lemire costuma por nos apresentar rapidamente uma série de personagens, oscilando entre perspectivas e mostrando motivações ou, pelo menos, alguns traços característicos que nos fazem sentir uma empatia imediata e distintiva para com as personagens. Não senti que tal acontecesse no primeiro volume de Family Tree.

A narrativa começa logo por nos mostrar um episódio de elevada tensão, com uma menina a transformar-se em árvore. Enquanto a família procura ajuda médica para esta situação são atacados por um grupo armado e salvos pelo avô da menina, uma presença inesperada. Entre a urgência que se apresenta, a família fica a saber os reais motivos da ausência da figura paterna – embora difícil de acreditar, uma possibilidade que se apresenta como verosímil quando comparada com a situação da menina.

A narrativa

O primeiro volume baixou-me as expectativas para a série. Ainda que se tenha apresentado com um ritmo competente, não se iniciou com o nível habitual de Jeff Lemire. Já este segundo volume, parece conseguir tirar algumas páginas para começar a tecer a usual magia do autor, mostrando episódios vários anos após os primeiros acontecimentos, antes de prosseguir com a primeira linha narrativa.

Apesar destes trechos mais interessantes a nível narrativo ( e que dão uma maior perspectiva ao leitor), o segundo volume volta a centrar-se excessivamente na linha principal, mostrando-nos uma sequência demasiado linear, talvez demasiado previsível e demasiado polarizadora das personagens – personagens que se mostram totalmente boas ou más e com motivações que… não explicam as suas acções, e que não me convenceram totalmente. Ainda assim, demonstra elementos mais interessantes do que o primeiro volume.

Conclusão

Tal como no primeiro volume, termino com a sensação de que é, por enquanto, uma série mediana, que ainda não me surpreendeu nem convenceu. Apresenta um nível superior a várias outras séries de banda desenhada de outros autores (publicadas pela Image) mas ainda lhe faltam os detalhes que costumam distanciar as narrativas de Jeff Lemire.

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