1- Muzinga – André Diniz – O novo livro de André Diniz é uma história de contornos sobrenaturais, elementos estes que são usados para falar de história e tradição, de conquista e manter a riqueza cultural dos vencidos. É uma história onde nem tudo é o que parece, havendo alguns detalhes que se vão descobrindo ao longo do caminho e levando a diferentes interpretações. Foi, sem dúvida, uma óptima forma de começar o ano de leituras e estará nos meus favoritos deste mês (e só não está nos favoritos do ano de 2024, porque não fui a tempo de o ler nesse ano);

2- Macho alfa 3 – Pina e Medina – Outra grande surpresa agradável de autoria nacional! Macho alfa começou por apresentar um herói bem português, usando os clichés dos super-heróis de forma irónica, até cínica. O segundo volume evolui este conceito, mas é neste terceiro que somos confrontados com um super-herói amargurado, caído em desgraça na opinião pública e que não tem outras competências para além do uso dos seus poderes. A história de premissa inicialmente simples está a transformar-se numa excelente reinterpretação do super-herói, mesmo explorando um sub-género já muito batido;

3- Fernando Pessoa – O menino que Sonhava – André F. Morgado e Tainan Rocha – André Morgado volta a Fernando Pessoa num formato mais juvenil, referindo cada uma dos heterónimos em páginas coloridas e visualmente agradáveis;

4- Tex – Ministrel Show – Mauro Boselli e Marco Ghion – A meu ver, um dos melhores Tex que já li. A história está impregnada de detalhes históricos, referindo a Guerra Civil Americana, e as consequências do rescaldo, mesmo para aqueles que sempre foram a favor da abolição da escravatura. Neste caso, os Rangers encontram-se em risco, tendo de provar as suas intenções, havendo um grupo que opta por intervir quando um grupo de homens de índole duvidosa tenta interferir com as eleições. Apesar do resultado da Guerra Civil, percebemos que mesmo livre, ser-se homem negro continua a ser perigoso nalguns estados e que apesar de terem direitos, isso não impede que outros os tentem enforcar. É também neste seguimento que a história se refere aos Ministrel Show, grupos de músicos que usavam o estereotipo negro como elemento cómico, mas também como homenagem – uma referência que, aos dias de hoje é politicamente incorrecta.