
No seguimento das minhas mais recentes explorações de novas séries Mangá, deparei-me com esta série caricata que, está, também, adaptada para Anime. A premissa da história é divertida e diferente (até nojenta) fazendo com que seja uma leitura relaxante que cumpre com a função de entretenimento.
Delicious in Dungeon não é a primeira série que pega no conceito de Dungeons & Dragons para mostrar um grupo de aventureiros que explora uma masmorra carregada de monstros à procura de tesouros. Neste caso, o grupo tem de regressar depressa ao nível onde se encontravam anteriormente, por forma a recuperar o corpo de uma das aventureiras e ressuscitá-la. Mas o grupo está com limitações financeiras e sem comida para uma nova expedição.



A solução? Ir comendo os monstros que encontram pelo caminho. Ainda que Laios, um dos aventureiros, irmão da que procuram ressuscitar esteja entusiasmado com esta oportunidade, os restantes olham reticentes para o manual de culinária que refere como usar cada monstro, criatura ou planta (ou outro ser não qualificável). Felizmente, ao grupo junta-se um anão que vive há longos anos na masmorra e que se habituou a preparar as diferentes criaturas.
A história vai apresentando contornos fantásticos com a utilização da magia, tanto pelo grupo de aventureiros, como na construção e desenvolvimento da masmorra. Ainda que não seja óbvio no primeiro volume, com a progressão percebemos que existe um sistema de regras que determina o uso de Maná, e que limita a actividade mágica.



Após um primeiro volume onde se choca o leitor com o tipo de criaturas que se comem (como uma criatura bípede que é basicamente um cogumelo com pernas) a história começa a evoluir demonstrando outros elementos da complexa masmorra, bem como episódios que explicam um pouco sobre a origem da construção, bem como detalhes do mundo e sobre o passado dos aventureiros.
O anão é, de facto, um conhecedor da culinária de masmorra, revelando-se que permanece nos vários níveis há largos anos, tendo preocupações com a manutenção do equilíbrio do ecossistema, e participando activamente para o proteger. Os detalhes por detrás desta manutenção são, como o resto, simultaneamente divertidos e inteligentes.



Nestes três volumes percebemos ainda que existem populações de Orcs, vistos por alguns como vilões, mas na prática fazendo parte de um ciclo de violência, no qual devem lutar para sobreviver e para se alimentar. São comunidades com preocupações familiares e a narrativa apresenta-os também nesta perspectiva.
Em todos os episódios vai-se evidenciando o trabalho em grupo, sendo que as capacidades distintas de cada membro se complementam e possibilitam ultrapassar desafios diferentes. Esta coordenação é essencial e é destacada em vários episódios. No entanto, cada personagem tem também as suas inseguranças e pontos fracos, havendo algumas passagens que demonstram episódios passados que os justificam.



Delicious in Dungeon começa como uma série leve e divertida, onde se explora o conceito de comer monstros diferentes conforme os níveis da masmorra (que é, na verdade, um circuito de catacumbas imensas que albergam cidades e castelos, demorando vários dias a percorrer). Após o primeiro volume, a série progride mantendo o tom ligeiro e divertido, mas rodeando-se de temas mais sérios e complexos, evoluindo em intensidade e densidade. As personagens ganham dimensão, os monstros são anatomicamente complexos com questões geek sobre a sua caracterização, e percebemos que o mundo apresentado é feito de equilíbrios e lógica, apesar dos detalhes mágicos. Sem dúvida uma série a continuar nas próximas semanas.
