Título curioso e boas recomendações, rapidamente peguei neste pequeno livro com alguma expectativa. E apesar da curta extensão proporcionou uma leitura agradável com a dose necessária de absurdo.
A história centra-se num assassino profissional que é rotineiramente contratado para eliminar pessoas pelos mais diversos motivos. Uma esposa infeliz e acomodada? Um colega de trabalho pouco simpático? Um progenitor que falha em morrer e deixar a sua fortuna? Mas a vida deste assassino parece ter entrado também numa rotina medíocre, sendo também ele alvo de uma tentativa de assassinato.



Mas haverá um trabalho que irá mudar as perspectivas e, até, a sua vida – matar Adolf Hitler. Felizmente há quem tenha uma máquina do tempo que lhe possibilita tentar concretizar a missão antes do início da Segunda Guerra Mundial. Mas ele não é o único com uma máquina do tempo, e Hitler escapa para o futuro. O regresso do assassino leva-o a perceber que existem mudanças nesta nova realidade, seguindo-se uma perseguição curiosa, onde reencontra a namorada.
A história começa por apresentar o trabalho do assassino como algo banal e normalizado. Os clientes falam abertamente de quem desejam a morte, e o assassino recebe e executa os trabalhos com uma aparente normalidade e indiferença. Esta mesma indiferença (aparente como se percebe depois) parece encontrar-se no seu relacionamento amoroso estagnado, onde o assassino pode ser o eliminado. Nesta vertente, apresenta-se o encontro e o desencontro, havendo algum distanciamento e desconforto no relacionamento, mas também uma ligação que vai para além dos tempos.



Esta combinação de distanciamento e indiferença, quer no trabalho, quer no relacionamento, é apresentada em páginas de pouco diálogo e ritmo contido. Tal como a narrativa, transmite alguma frieza e afastamento ao leitor, uma barreira que se há-de esmorecer, principalmente nas últimas páginas.
Olhando para a premissa que usa as viagens no tempo para tentar mudar o passado, a história brinca com o conceito, mostrando como é inútil controlar o destino – matar Hitler gera distorções temporais com impacto no futuro. A intervenção no passado leva a que os problemas se mantenham, agora sob uma outra capa.
O resultado é uma leitura curta, mas agradável, que começa como questionamento existencial, e termina como uma paródia de encontros e desencontros, onde o passado e o futuro se transformam mas as questões originais não são eliminadas. Apesar dos contornos temáticos (assassinatos) é uma leitura com aura cómica devido aos detalhes irónicos.

