O Mortal Imortal – Mary Shelley

Serei então, imortal? esta é uma questão que tenho colocado a mim próprio dia e noite, há já trezentos e três anos, e mesmo assim, não lhe consigo responder. Ainda hoje detectei um cabelo branco entre os meus caracóis castanhos – isso denota seguramente uma deterioração. Contudo, ele pode ter permanecido ali escondido durante trezentos anos – pois há pessoas cujas cabeças se tornaram totalmente grisalhas antes dos vinte anos de idade.

Assim se introduz a colectânea de contos de Mary Shelley, autora de Frankenstein. Deste livro fazem parte 5 contos

Mortal Imortal: um conto – história que dá nome ao livro e do qual faz parte o excerto acima. É uma estranha história de imortalidade, que reflecte a eternidade vivida sem alteração. Apesar de ser um conto simples, foi realmente este que mais me captou, talvez por a concretização de um dos maiores desejos da humanidade, se poder tornar num tal pesadelo.

Transformação – nesta história, um jovem desperdiça a enorme riqueza herdada, em jogos, festas e ostentação – retornando à terra onde nasceu, aproxima-se do pai da sua prometida, mas é escorraçado pelos sucessivos abusos cometidos. Acaba a vaguear, amargurado por pensamentos de vingança, até encontrar um navio naufragado e um anão sobrevivente. A cobiça fá-lo “alugar” o seu corpo ao anão. Apesar de engraçado, achei que estava demasiado carregado de moralismo.

Roger Dodsworth: O Inglês reanimado – um jovem congelado retorna à vida após vários anos, realizando que o seu mundo desapareceu – a herança não se encontra intacta, a noiva já terá morrido, e a realidade transformou-se – sente-se perdido num mundo ao qual já não está adaptado.

O Sonho – para mim o conto de menor relevância nesta colectânea, em que uma dama terá perdido pais e irmãos às mãos da família do amante, considerando a hipótese de se deslocar para um convento. o amante tenta demove-la sem sucesso, e quando o rei presende mudar a ideia da dama, esta deixa recair a decisão sobre Deus indo dormir para a cama de Santa Catarina.

Valério: O Romano reanimado – o último conto é semelhante ao do inglês reanimado. Um romano retorna a Roma vários séculos após a sua morte, chocando-se com as alterações que sofreu a Cidade Eterna – mas não o escandaliza tanto o estado de degradação de alguns edifícios, como a hedionda adaptação que estes sofreram ao cristianismo. Somente no coliseu se sente em casa, que apesar de ter sido construído após a sua morte, conserva ainda o esplendor do espírito romano.

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