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O perfeito cavaleiro tornado impecável armadura branca – perfeita, reluzente mas vazia. O que a move? a vontade, não deturpada pelos poluentes sentimentos humanos.

Assim o invólucro metálico move-se, segundo um pensamento lógico demasiado recto que não entende as excepções, de um modo irritantemente perfeccionista, cumprindo cegamente todas as regras e normas, até às últimas e ridículas consequências. Uma paródia ao cavalheirismo, aqui, em excesso.

Isenta de vida humana, a armadura sente-se superior aos seus companheiros viciosos, que por sua vez não compreendem o quadrado que caracteriza o pensamento metálico.

Da famosa trilogia de Italo Calvino apenas me falta agora um; e tanto em O Cavaleiro Inexistente como em O Barão Trepadro, o autor recorre-se a elementos semelhantes – situações impossíveis e fantásticas, sátiras e metáforas, o que resulta em O Cavaleiro Inexistente numa história mais simples mas hilariante pelo ridículo das situações.

Contada de forma rocambolesca, não achei a história tão complexa quanto a do Barão Trepador, embora em ambas o autor recorra a elementos semelhantes – situações impossíveis e fantásticas, sátiras e metáforas. As histórias de ambos os livros são bastante distintas e gostei de ambas, cada uma da sua maneira.