Ar – Geoff Ryman

Ar foi um dos grandes lançamento de FC deste ano, em Português, não só pela qualidade do livro mas pela pouco usual campanha publicitária, o que é raro na publicação de um livro.

Parte da campanha pode ser observada num blog próprio, construído pela editora Gailivro, onde, para além de outras coisas, se pode ler o primeiro capítulo. Tenho pena que o blog não tenha sido mais desenvolvido.

Para além do site, a editora disponibilizou aos bloggers, o livro, à imagem das campanhas publicitárias de várias editoras em Inglaterra ou nos E.U.A, que sorteiam ou distribuem vários exemplares. Tal pretende fazer com que os livros não passem despercebidos no meio de outros tantos – originam-se comentários, críticas desperta-se a curiosidade de potenciais leitores.

Dois outros livros do mesmo autor tinham sido já publicados em Portugal – The Warrior who Carried Life (O Guerreiro que trazia a vida) pela Editora Caminho na coleccção Caminho FIcção Científica e The Child Garden (O Jardim de Infância) na colecção Limites da Clássica Editora. Do primeiro desconhecia a publicação portuguesa até ver a Bibliowiki e o segundo tinha-me sido muitas vezes recomendado como um excelente livro sob uma péssima capa (para os que não conhecem esta edição, digo só que na capa habita uma única rosa, assemelhando-a à de um qualquer romance rosa pegajoso).

Have, Not Have foi o início de Ar – uma curta história incluída em The Magazine of Fantasy & Science Fiction. Mais tarde esta história foi alongada dando origem a Air. Vencedor dos prémios British Science Fiction, James Tiptree e Arthur C. Clarke, é uma mistura entre dois géneros, a fantasia e a ficção científica.

A história começa com a expectativa do teste ao Ar. Ar é uma nova tecnologia que permite às pessoas ligarem-se directamente, à semelhança da internet, sem recorrerem a qualquer tipo de equipamento informático. Numa aldeia semi isolada de Karzistan (país inventado), o teste é aguardado com ansiedade, sem saberem com exactidão o que esperam. Pensam poder ver filmes e espectáculos, mas desconhecem todo o potencial que Ar irá trazer.

Não é pois uma surpresa quando, durante o teste, algumas pessoas entram em pânico e morrem, de choque ou desorientação. Mae, a especialista de moda da aldeia, foi a que mais explorou Ar durante a experiência, tendo inclusivé, assistido à morte de uma grande amiga, já idosa. A ligação estabelecida entre as duas enquanto em Ar, permite à amiga falecida apoderar-se, por vezes do corpo de Mae.

Com Ar, veio a mudança e o medo da Mudança – abrem-se inúmeras possibilidades, mas ao mesmo tempo surgem os grupos resistentes que julgam poder ignorar o Futuro.

A história, que não perde tempo com explicações sobre as bases científicas ou tecnológicas, possui diversos pormenores inverosímeis – mas nem por isso é menos interessante. O facto de estar bem escrito cativa o leitor fazendo com que os factos pouco credíveis se tornam um factor de distanciamento. O que interessa é o enredo.

Apesar de ter gostado imenso do livro tenho pena que o final tenha sido tão mirabolante.

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