Após um desastre (nunca explicado), estabelece-se na cidade um cenário pós-apocalíptico. As pessoas, isoladas do Mundo exterior, perderam quase todas as características que as distinguiriam dos animais. A comida escasseia, e toda a carne que se apanha é bem vinda, ainda que provenha de cães… ou até de outros seres humanos.

Neste Mundo arrepiante vive Carrier, uma mulher que não perdeu a esperança de escapar da zona isolada e que, diariamente, se arrisca pelas ruas em busca de comida para si e para o companheiro, imobilizado e cada vez mais demente.

Carrier mantém alguma humanidade, em parte por conseguir manter contacto com o Mundo exterior, através de um velho computador encontrado num edifício abandonado há muito. Assim, tenta tecer alguns planos de fuga… até que o seu quotidiano tenebroso é quebrado por uma personagem que, vestida de branco, percorre as ruas, dançando – O Dançarino.

Nearly People é uma história negra carregada de  fatalidades num mundo degradante e vicioso – é neste ambiente que se tece o surreal, mas cru, cenário de sobrevivência.  Apesar de curto, o livro capta o leitor até ao twist final que nos deixa um estalo atordoante.