Não foi vencedor de prémios, nem nomeado, mas é o primeiro livro de uma extensa saga, referido por muitos como um dos melhores livros do género fantástico. O mundo onde decorre a história terá sido criado como base para um RPG, evoluindo com o aumento do número de participantes, e mais tarde transformado em aventura fantástica por Raymond E. Feist.

Em O Mago – Aprendiz conhecemos Pug, um rapaz órfão no reino de Midkemia, que se atrasa a caminho do castelo, perdendo um saco de mantimentos. No meio de uma tempestade e de pé torcido, é salvo por um caçador, acabando por pernoitar na casa de um mago, Kulgan. Como qualquer criança, logo esqueceu esta aventura, recordando-a apenas quando, no dia da escolha de aprendizes, é apontado por Kugan. Esforçado, Kugon possui, sem dúvida, o dom da magia, mas é incapaz de o aplicar voluntariamente.

Como aprendiz de magia, Pug passa o pouco tempo livre que possui com Tomas, o filho do casal que o acolheu em criança, um rapaz que treina para soldado. Atraídos pela ideia de assistirem a um naufrágio, Pug e Tomas deslocam-se a praia, onde observam os restos de um barco de guerra. Subindo a bordo, descobrem um pergaminho mágico e encontram um guerreiro sobrevivente, de aparência estranha.  Este guerreiro pertence a um reino de conquistadores existente noutro mundo, cujo chefe de guerra pretende invadir Midkemia através de portais mágicos. Assim se anuncia a guerra que terá lugar entre os dois mundos, na qual Tomas e Pug serão intervenientes.

De Raymond E. Feist tinha lido, há já alguns anos, Talon of the Silver Hawk, o início de uma trilogia que decorre no mesmo Universo fantástico de O Mago. Se Talon of the Silver Hawk pecava por se centrar numa única personagem infantil e pouco profunda, em O Mago seguimos várias personagens, e tomamos conhecimento dos acontecimentos através de vários pontos de vista.

Outro aspecto que me tinha deixado desiludida com Talon of the Silver Hawk era o distanciamento em relação às personagens, que conferia alguma artificialidade à história. Em O Mago vamos acompanhando as várias personagens, e somos arrastados pela história, que se desenvolve rapidamente. Ainda que não seja uma história original, é um livro fantástico de leitura rápida, de tal forma que o li num só dia.

Publicado em Portugal pela Saída de Emergência, O Mago foi dividido em dois volumes (tal como na edição americana): Aprendiz e Mestre. O segundo saiu este mês.