The Chrysalids – John Wyndham

Publicado inicialmente como Re-Birth, The Chrysalids é uma das obras pós-apocalípticas de John Wyndham, e considerado por muitos dos seus leitores como a sua melhor obra.

Ainda que actualmente Labrador seja uma zona pouco habitada do Canada, no futuro descrito em The Chrysalids tornar-se-à uma zona mais quente e acolhedora, onde habitam alguns sobreviventes de um Apocalipse. Este terá deixado grandes marcas no Planeta, que em Labrador são facilmente visíveis pela elevada taxa de mutabilidade de todas as espécies vivas.

Acreditando que as mutações são obra do Diabo, os habitantes de Labrador queimam todas as colheitas em que as plantas não nasçam exactamente como um modelo ideal. Da mesma forma, qualquer ser humano que nasça apresentando qualquer diferença na forma sagrada é exposto ou esterilizado e enviado para as fronteiras, zonas bastante estranhas, onde a taxa  de mutação é tão elevada que é difícil encontrar duas plantas ou dois seres iguais.

Fanáticos pela preservação das formas sagradas, os habitantes de Labrador incorporam a procura dos mutantes na religião, acreditando que apenas os seres humanos perfeitos possuem alma, e vigiam-se permanentemente em busca de falhas:

Accursed is the mutant… The mutant, the enemy, not only of the human race, but of all the species God had decreed; the seed of the Devil within, trying unflaggingly, eternally to come to fruition in order that it might destroy the divine order and turn our land, the stronghold of Gold”s will upon Earth, into a lewd chaos… where true stock had given place to unnameable creatures, abominable growths flourished, and the spirits of evil mocked the Lord with obscene fantasies.

David Storm é um rapaz normalíssimo – pelo menos na aparência. Quando, de noite, sonha com enormes cidades e mecanismos voadores (completamente inexistentes, nesta sociedade rural de regressão tecnológica) é acalmado pela irmã que o avisa para nunca revelar tais sonhos. Estes vão acalmando com a idade, até que conhece Sophie, uma rapariga que nunca tinha visto, apesar de viver perto.

Após um pequeno acidente, Sophie é obrigada a descalçar-se e a mostrar a David o pé, que possui um dedo a mais do que corresponde à forma sagrada. David demora até relacionar Sophie com as frases que ocupam as paredes de casa – Watch Thou For The Mutant, não conseguindo entender como um pedaço de carne tão pequeno quanto um dedo do pé, pode tornar Sophie numa criatura hedionda desprovida de alma.

Quando, mais tarde, Sophie é descoberta e capturada, David apercebe-se de quão importante é esconder as capacidades telepáticas que partilha com mais alguns jovens de Labrador. Ainda que se esforce, tal tarefa revela-se mais difícil com o despertar das fortíssimas capacidades telepáticas da irmão mais nova, Petra.

Há já algum tempo que sinto curiosidade em ler alguma coisa de John Wyndham. Chocky ou The Day of the Triffids são dois dos títulos que mais me atraiam, mas tendo surgido a possibilidade de adquirir The Chrysalids, acabei por o ler primeiro apesar de ter ficado indiferente perante a sinopse na capa. Este é daqueles resumos que falha completamente em transmitir a essência do livro, demasiado leve e casual, sem permitir grande enquadramento da história ou deixar discernir o género.

Foi assim com grande surpresa que me deparei com um dos melhores livros que li nos últimos tempos: acompanhando uma personagem forte, não se centra nesta em demasiada, deixando observar o mundo e as restantes personagens que a rodeiam, explora os relacionamentos humanos sem cair em exagero. As personagens são envolventes, e os acontecimentos sucedem-se com algumas surpresas que tornam a história menos previsível e não a deixam tornar monótona.

A forma como, em The Chrysalids, se perseguem os mutantes com fervor religioso ou como as pessoas se isolam cegamente na sua crença tem vários paralelismos no mundo que conhecemos: ainda que a história se possa enquadrar em ficção científica pós-apocalíptica, é uma história mais sobre as pessoas e o modo como se relacionam do que sobre um apocalipse que terá feito regredir a humanidade. Desta forma, é uma leitura aconselhável a todos os que gostam de ler.

Em Portugal foi publicado como As Crisálidas pela Caminho. De realçar a publicação recente de um outro livro do autor, pela Editoria Presença – Chocky.

Outros livros do autor

7 pensamentos sobre “The Chrysalids – John Wyndham

  1. Bem, no site da própria caminho encontra-se esgotado, Ana… Provavelmente só num alfarrabista é que poderá ser encontrado… ou então só mesmo na versão inglesa.

    Eric, ainda não me decidi. Na realidade não há nenhum visual que considere perfeito, mas acho que esta letra e conjunto de cores são mais legíveis. Pelo menos para mim. Bjs.

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