Vaporpunk – Vários autores (Parte I)

Organizada por Gerson Lodi-Ribeiro e Luis Filipe Silva esta antologia publicada pela Editora Draco possui participações de autores portugueses e brasileiros, tendo estado à venda em Portugal em eventos como Mensageiros das Estrelas ou Fórum Fantástico. De aspecto gráfico impressionante e interior cuidado, apresenta 8 noveletas que não se limitam, como nalgumas histórias do género, a apresentar gadgets num ambiente londrino.

Na primeira história, A Fazenda-Relógio, de Octavio Aragão, exploram-se as consequências da industrialização nas fazendas brasileiras. Com a invenção de máquinas debulhadores milhares de escravos vêem-se libertados, mas sem ocupação que lhes permita sustentar-se. É desta forma que resolvem vingar-se nas fazendas, destruindo as máquinas que os libertaram subitamente, e se vêm parte de um plano político que se aproveita da sua existência. Interessante e coesa, é uma noveleta que explora o lado humano da industrialização.

Segue-se Os Oito Nomes Do Deus sem Nome, por Yves Robert, uma história de espionagem onde os agentes ingleses e franceses tentam descobrir a arma secreta que terá permitido construir um império. Ainda que possuam um objectivo comum, estes agentes competem entre eles, exibindo as maravilhas tecnológicas inventadas em cada um dos Impérios: enquanto os ingleses se dedicam a desenvolver a tecnologia, os franceses exploram as artes mentais que lhes permitem abrir janelas, ou comunicar mentalmente. Uma noveleta divertida com invenções interessantes, possui uma reviravolta final inteligente que consegue dar-lhe o brilho necessário para não decepcionar.

Os primeiros Aztecas na lua, de Flávio Medeiros Jr., é a terceira história, também uma aventura de espionagem, onde um agente duplo tenta descobrir a localização da invenção inglesa que permitirá levar homens à Lua. Ainda que possua partes excelentes, tem algumas pontas soltas que não me permitiram apreciar completamente a história. Talvez fosse uma das que teria beneficiado de um formato ainda maior para a tornar mais coesa.

Consciência de ébano, de Gerson Lodi-Ribeiro, distingue-se das restantes histórias por nos apresentar seres semelhantes a vampiros, velhos, inteligentes e sedentos de sangue, que serão utilizados como arma por uma sociedade secreta. Por ser neto de um dos membros desta sociedade, João recebe a proposta de ingressar nesta sociedade, cuja função principal é tratar de um destes seres, chamado de Dentes Compridos. Mas João é também neto de um caçador que terá tentado matar Dentes Compridos, e ainda que adira à sociedade, luta contra a sua consciência por considerar Dentes Compridos um ser maléfico. Com poucos elementos de Steampunk, a noveleta poderia enquadrar-se mais no sobrenatural que propriamente no género da antologia, constituindo uma aventura engraçada que não me fascinou grandemente.

4 pensamentos sobre “Vaporpunk – Vários autores (Parte I)

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