The Bees – Laline Paull

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Accept. Obey. Serve. Accept. Obey. Serve. Estas são as palavras repetidas vezes sem conta ao longo de todo o livro. Partindo de uma premissa bastante simples e centrando-se numa única personagem, este livro consegue ser uma das boas histórias que li ultimamente, desculpando-se as poucas falhas de sequência lógica que existem.

A personagem principal é uma abelha – uma abelha trabalhadora que, ao contrário das restantes abelhas da sua classe, consegue “falar” e não apenas “ouvir”. Reconhecida pelas abelhas polícia como sendo uma aberração é marcada para morrer, mas, claro,  é salva por uma mestra que reconhece que a diferença poderá ser benigna. Levada ao berçário, consegue produzir alimento para as larvas e passa a ser esta a sua função durante algum tempo.

bees 2De tarefa em tarefa, ganha honras de visitar a rainha depois de ter participado numa batalha contra vespas invasoras. Extasiada pela presença da mãe, e do amor que dela emana, tem agora um novo encargo: aprender os painéis da biblioteca onde lhe são comunicados episódios extremamente importantes na vida da colmeia, desde a vinda do apicultor, à morte de uma rainha.

Apesar de tudo rondar em torno da figura materna, as abelhas que dela cuida actuam como executoras do poder, distribuindo ordens que nunca devem ser desrespeitadas, sob pena de morte. Accept. Obey. Serve. Para que tudo na colmeia funcione cada abelha deve conhecer e cingir-se às responsabilidade atribuídas sem as questionar.

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Mas não é só nas várias capacidades que Flora 717 é peculiar. Involuntariamente pôs um ovo – algo que é visto como a traição máxima à rainha e à colmeia, algo que resulta na exterminação da prole e da própria abelha. Aproveitando os conhecimentos do tempo em que estava no berçário, coloca lá o seu ovo, esperando que este seja bem cuidado.

Descrevendo classes de abelhas como classes sociais, poderá ser considerada uma história distópica se não se baseasse simplesmente numa hierarquia obrigatória neste tipo de insectos. O ponto forte será decerto o nível de detalhe derivado do jogo de feromonas que mantém em funcionamento a colmeia, bem como as descrições das sensações de uma abelha quando voa, ou em presença da rainha, ou simplesmente de uma flor.

Claro que já deu para perceber qual será o ponto fraco – a Flora 717 acaba por ser capaz de desempenhar a maior parte das funções e por ser uma peça principal no destino da colmeia, algo que por vezes parece demasiado forçado ou desadequado. Mas este defeitos rapidamente se esquecem, e o final deixou-me a querer mais. Sem estar no topo dos melhores livros que tive oportunidade de ler, é sempre dúvida um dos livros de que gostei mais nos últimos tempos.

2 pensamentos sobre “The Bees – Laline Paull

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