Número zero – Umberto Eco

IMG_1857

Apesar de bastante mais pequeno que outros livros do autor, como Baudolino ou O Nome da Rosa, Número zero tem alguns elementos em comum com os restantes: várias e interligadas teorias da conspiração, farsas de propósito obscuro e ocasionais e incessantes verborreias de informação que conseguem criar um misto de repulsa e fascínio, e que fazem muitos leitores desistir da história. Neste livro estes momentos são muito raros e mais contidos do que é costume.

Em Número Zero um conjunto de jornalistas é contratado para produzir um jornal fictício, criado com o intuito de fazer pressão política sobre alguns elementos, num difícil (e quase cómico) jogo de influências. Comecemos por dizer que alguém pretende um determinado posto. Para tal, funda um jornal de produção controlada, para criar uma série de números falsos que servirão de exemplo às capacidades do jornal se se tornar de edição aberta (caso determinadas pretensões não se concretizem).

número zero espanhol

É neste contexto que se insere a personagem principal, um homem muito culto que, não sendo especialista em assunto algum, tem vagueado entre traduções e artigos menores, vendo-se agora contratado para este jornal fictício, a bom soldo. Na mesma situação encontram-se outros cinco jornalistas, entre eles a mulher responsável pelo próximo romance do nosso jornalista, e um típico investigador e gerador de teorias de conspiração que se baseia em recortes de jornal e episódios mirabolantes.

Com claro intuito manipulador, os episódios em que os artigos são criados são autênticos manuais de influência da opinião pública, apresentando como, a partir de fotos bem simples, se derivam suspeitas que, impunemente, podem manchar a imagem de pessoas sérias. Nalguns, nos confrontos de ideias, apresentam-se episódios de ideias nonsense que recordam episódios em outros livros do autor – diversão pura.

número zero 2

Misto entre manual de manipulação da opinião pública, exposição de teorias extraordinárias e conspirações movimentadas, é também uma crítica bastante directa aos meios de comunicação e à forma como usam o seu alcance para exercer pressões e influências. Menos centrado em questões históricas do que outros livros do autor e de menor formato, não chegou ao mesmo patamar que os livros mais conhecidos, mas proporciona excelentes momentos de leitura.

Um pensamento sobre “Número zero – Umberto Eco

  1. Pingback: Número zero - Umberto Eco | F_C | Scoop...

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s