Assim foi: Recordar os Esquecidos – 20 de Fevereiro

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Esta sessão contou com a participação de José Norton e de António Mega Ferreira, o primeiro autor de livros de ficção histórica como O Último Távora ou O Milionário de Lisboa, o segundo, de extensa carreira jornalística, reconheço-lhe o nome principalmente por associação à Expo ou aos cursos no El Corte Inglês.

A conversa começou com José Norton a realçar que os livros que escolheu estão sobretudo associados às recordações de infãncia e aos livros que fizeram parte da sua formação numa primeira fase, e aos livros que, como jovem adulto, lhe permitiram construir uma percepção de Portugal.

meaulnes

O Grande Meaulnes de Alain Fournier foi o primeiro livro referido, um livro onde se destacam as paisagens, principalmente as florestas, tendo José Norton se revisto nas personagens jovens em que da paisagem fazia parte uma fantasia que caracteriza o ambiente da infância.

pais inantigivel

A primeira recordação de António Mega Ferreira é um livro juvenil, O País Inatingível de André Dhôtel, livro que, numa tradução esforçada e competente, num apresenta um jovem de quinze anos, o filho esquecido de um casal de saltimbancos que vai aprender por si próprio o que é a vida. O jovem tem uma tendência terrível para o desastre mesmo nas acções de melhor intenção e é, naturalmente, um rapaz de quem todos têm medo.

Este rapaz conhece uma jovem, Helena, por quem se sente próximo, e se apaixona. Também ela é uma figura marginal da sociedade e conjuntamente vivem a história da descoberta da terra e do mar. O livro é assim uma história de aventuras, um livro de iniciação e da perda de inocência, onde os jovens procuram a utopia do país perfeito, justo e bonito.

o homem que matou o diabo

A segunda escolha de José Norton é Aquilino Ribeiro, ainda que destaque o livro O Homem que matou o Diabo. Aquilino Ribeiro terá sido um homem bastante progressista na sua vida, mas na escrita tem temas bastante associados à terra, à agricultura, reflectindo um amor enorme que tinha à terra, e uma visão crítica em relação à Igreja. Neste livro em questão existe um cenário num Igreja da Beira em que um padre tem uma visão quase sexual – mas sem denegrir a imagem religiosa.

seara de vento

Foi a vez de António Mega Ferreira referir Manuel da Fonseca, que, apesar de ter partido do neo-realismo, ultrapassa este movimento. O neo-realismo terá surgido em resposta a uma conjuntura política e partia-se do princípio de que a literatura teria como obrigação defender os povos, ao serviço da revolução. Alguns autores como Manuel da Fonseca (ou Carlos de Oliveira), autonomizam-se pela qualidade da sua escrita, contendo uma perspectiva progressista mas dedicando-se também a outros temas.

Com contenção de palavras, Seara de vento começa como a típica história do neo realismo, mas o episódio político inicial passa a secundário e os restantes acontecimentos ganham vida cinematográfica. É uma história em que o vento é antropomorfizado, funcionando, por exemplo, como prenúncio, ou como força deslocadora. Num cenário como o Alentejo, é a ausência do vento, que provoca o desassossego.

os pescadores

Raúl Brandão já tem sido recordado por outros convidados, em sessões anteriores, mas é desta vez referido por José Norton com o livro Os Pescadores. Este livro fez parte da construção da ideia de Portugal e percorre o litoral português para descrever o quotidiano dos pescadores, por exemplo, a pesca da sardinha no Algarve, ao luar, destacando-se a angústia das gentes ligadas ao mar.

canções de amor

Canções de amor em Lolita’s Club foi a terceira recordação de António Mega Ferreira. Neste livro existirá um levantamento das gerações que se seguiram à guerra, principalmente das crianças que tinham 9 / 10 anos quando esta terminou, apresentando a sua visão, influenciada por toda a crueldade e ressentimento que ficou.

Este livro decorre até ao período de transição, apresentando um polícia brutal que não recua perante os métodos que acha que precisa de utilizar, para atingir o resultado pretendido. Mas este polícia tem uma fraqueza – um irmão mais novo, para o qual se derrete perante os seus pedidos. Do mesmo autor, refere-se ainda, Rabos de Lagartixa, outro livro publicado em Portugal.

a ilha do tesouro

A Ilha do Tesouro terá sido um dos volumes da colecção Biblioteca dos rapazes, fascinante pela ideia do tesouro escondido e dos mapas, das histórias de piratas audazes.

a consciencia de zeno

A última recordação foi A consciência de Zeno, por António Mega Ferreira, que se centra num homem que, tentando desistir de fumar, se desloca ao psiquiatra e vai expondo as suas memórias, terminando num desafio às teorias habituais da psicanálise.

2 pensamentos sobre “Assim foi: Recordar os Esquecidos – 20 de Fevereiro

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