Os jardins de luz – Amin Maalouf

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Os jardins de Luz de Amin Maalouf é um dos mais recentes lançamentos da Marcador que dá nova edição a um livro há muito esgotado. Mais conhecido por As Cruzadas vistas pelos árabes, o autor escreveu também Samarcanda e o Périplo de Baldassare. Se o primeiro se destaca pelo interesse histórico, pretendendo ter pouco ou nada de ficção, apresentando-nos a visão oposta à que aprendemos à nossa, O Périplo de Baldassare, mais ficcional mostra-nos uma demanda numa época de loucura, o ano de 1666.

Este, Os jardins da Luz, visa apresentar a vida de Mani (também conhecido como Mariqueu), um profeta iraniano que terá fundado o Maniqueísmo, uma religião gnóstica com um novo entendimento do Zoroastrismo que incorpora alguns fundamentos do Cristianismo.

Pegando no esqueleto conhecido da vida do projeta, Amin Maalouf preenche algumas lacunas na história, dando-nos em Os Jardins de Luz uma história contínua que acompanha a criança, o homem e o profeta perseguido pela sua popularidade.

Pattig, pai de Mani, terá incorporado uma seita de raízes cristãs e comandada por Sittai, onde, num local remoto, procuravam a pureza nos seus costume, comendo apenas dos seus próprios alimentos (que descrevem como masculinos e por isso puros) e afastando-se da convivência com os demais. De hábitos rígidos e austeros, não será o local mais apropriado para educar uma criança, mas, forçado por Sittai, Pattig retira o rapaz à mãe e trâ-lo para ser educado por todos, sem revelar a sua paternidade ao rapaz.

O retrato do futuro profeta ganha especial vida nestes primeiros anos, retratando-o como um rapaz problemático que, juntando-se com outro da sua idade, explora a vila próxima e acaba por se relacionar com outros de diferente credo. É ao descobrir a sua capacidade artística que um anjo se lhe revelará, marcando o seu percurso e futuro fora daquele grupo de homens vestidos de branco.

Com a chegada à idade adulta, parte com o objectivo de expandir a sua crença – e é aqui que Amin Maalouf se distancia de Mani como personagem, passando a retratá-lo como uma figura misteriosa e distante, um homem carismático e envolvente que quase parece impulsionado por uma força e discernimentos sobre-humanos.

Profeta de uma nova religião que se terá estendido à China e ao Império Romano, Mani foi também um homem, com amizades, incertezas e dificuldades, que terá conseguido, ao fundir os ensinamentos de várias religiões, enfurecer os vários sacerdotes. O fim não é inesperado, senão o usual para quem ousa romper com costumes e sistemas de crença.

Em Portugal Os Jardins de Luz foi publicado recentemente pela Marcador.

Outros livros do mesmo autor

2 pensamentos sobre “Os jardins de luz – Amin Maalouf

  1. Um livro que tenho em casa para ler, mas em francês. Já li vários do autor, Samarcanda, As cruzadas vistas pelos árabes, O rochedo de Tânio, As escalas de Levante, O século primeiro depois de Beatriz e Leão O africano.
    Gosto da sua escrita, e apresenta-nos uma visão do mundo árabe interessante.

  2. Pingback: As cruzadas vistas pelos árabes – Amin Maalouf | Rascunhos

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