The Mad Scientist’s Guide to World Domination

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Editor da Lightspeed Magazine e da Nightmare Magazine, organizador das antologias Brave New Worlds, The end is nigh / now / come ou Wastelands entre várias outras, John Joseph Adams é dos poucos nomes que, quando vejo num projecto, me faz saltar da cadeira e correr para a loja (online, já que destes livros raramente se encontram por cá).

É um autor que costuma apresentar antologias diversificiadas onde há espaço tanto para a seriedade como para a diversão pura que o género permite, com ideias originais e mirabolantes, ou com boas histórias melancólicas.

Se é o fascínio pelo desconhecido que leva alguém a dedicar-se à ciência, à descoberta ou às invenções, é também o desconhecido e a incompreensão que leva a que os cientistas sejam profissionais mal compreendidos. A ciência é, muitas vezes, hermética para quem não a estudou e se nalguns o desconhecido é apaixonante, para outros é fonte de medo e apreensão.

Os cientistas que ultrapassam determinadas barreiras de compreensão, ou morais, são vistos como loucos a caminho da desgraça, causadores da queda da humanidade ou, pelo menos, da sua própria queda. Exemplos clássicos encontramos em contos como Frankenstein, Dr. Jeckyll & Mr. Hyde ou A ilha do Dr. Moreau.

A antologia abre com Professor Incognito apologizes: an Itemized list, uma carta de um vilão, cientista louco que possui o seu laboratório secreto. A carta é dirigida à namorada, aquando da descoberta do seu covil maligno e revela planos, expectativas e sentimentos, mostrando que os cientistas loucos também são pessoas.

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Entre os vários contos de cientistas loucos encontramos Laughter at the academy de Seasnan McGuire que nos apresenta uma realidade onde os cientias são monitorizados atentamente e forçados a testes constantes para que seja medida a sua creatividade, não vá dar-se algum evento que os leve a alguma experiência demasiado mirabolante e catastrófica. Um conto excelente pela forma como apresenta estes testes e vigília.

Mas afinal será o cientista louco apenas um homem mal compreendido? Dos fracos não reza a história e na verdade não será o cientista afinal um herói que, ao cair com a sua invenção, deixa espaço para que outros contem as circunstâncias acrescentando detalhes maléficos? Este é o ponto de vista explorado por David D. Levine em Letter to the Editor.

Nem sempre as invenções são destruídas com o cientista louco e nem sempre estas são armas de destruição maciça. Em The Executor de Daniel H. Wilson um cientista inventou a máquina perfeita capaz de prever o rumo da economia e de fazer bons investimentos. O resultado é uma extensa e crescente fortuna que deixa a quem conseguir enfrentar o computador e vencê-lo. Geração após geração ramos da família descendente lutam entre si pela possibilidade de vencer o computador, pedindo para tal empréstimos avultados e dando como única penhora a remota possibilidade de obterem uma fortuna.

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A profissão de cientista louco em modo de vilão também tem os seus perigos e inseguranças. É por isso que uma jovem trabalha como conselheira de vilões, ajudando a treinar discursos e simulando cenas de rapto e destruição. Mas para além da avultada soma que recebe por cada conselho, procura o vilão perfeito – aquele que conseguiu criar as mais avançadas engenhocas (The Angel of Death has a business plan de Heather Lindsley)

Entre homens poderosos que usam os fármacos para gerir empresas multimilionárias, ter o uso exclusivo de alguns produtos e comportarem-se que nem Deuses (Homo Perfectus de David Farland) e outros que resolvem invocar Deusas para serem o seu par perfeito (Ancient Equations de L. A. Banks) encontramos, em Rural Singularity de Alan Dean Foster, uma menina de aspecto inocente que criou mecanismos fantásticos que requerem profundos conhecimentos de física.

Captain Justice saves the day de Genevieve Valentine dá-nos a perspectiva da ajudante competente de um cientista louco enquanto que em The Mad Scientist’s Daughter as filhas de vários cientistas loucos se reúnem numa casa, para fugir à sociedade. É que na verdade não são bem filhas, antes criações – a noiva da Frankenstein, uma criação do Dr. Moreau… e todas têm as suas particularidades que as distinguem do ser humano comum (um conto excepcional).

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Cientistas que utilizam genes alienígenas nas suas criações (Harry and Marlowe meet the founder of the aetherian revolution), cientistas políticos que, através das suas marionetas, conseguem controlar o futuro ou cientistas que criam vermes de capacidades imensas num sonho distante de se tornarem o vilão (The Last dignity of man de Marjorie M. Liu) – as mais diversas vertentes da profissão têm o seu lugar nesta antologia repleta de boas histórias.

Claro que existem contos mais fracos. Ou de que gostei menos. Mas considerando o conjunto, a diversidade, a diversão, esta é uma das melhores antologias de contos que li nos últimos tempos.

Um pensamento sobre “The Mad Scientist’s Guide to World Domination

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