Devolution – Rick Remender, Jonathan Wayshak e Jordan Boyd

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Do mesmo autor de Low e Black Science, Rick Remender, chega-nos agora uma nova história contada em apenas um volume, Devolution. O lançamento encontra-se previsto para 06 de Setembro mas, por enquanto, ainda se encontra disponível no NetGalley.

Para além do nome conhecido, o que me chamou à atenção foi o título de devolução, conceito estranho para quem estudou biologia e o que se encontra por detrás das alterações progressivas das espécies. Já devia ir avisada. É que se, graficamente, Devolution é extraordinário, do ponto de vista científico, a premissa é extremamente ridícula.

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Por algum motivo existe o senso comum de que o ser humano será o ser vivo mais evoluído (reminescências do antrocentrismo?). Mas por estranho que possa parecer, numa perspectiva evolutiva, o ser mais evoluído será o que se encontra mais adaptado ao seu meio. Considerar que existe um percurso propositado rumo à inteligência é o mesmo que considerar que a evolução é consciente e direccionada ao invés de variabilidade casal seleccionada pela sobrevivência dos mais adaptados.

Devolution parte desta ideia errada da evolução para nos trazer um mundo onde, um vírus liberto para eliminar a parte do cérebro ligada à religiosidade, acaba por causar a regressão não só de seres humanos, como de outros seres vivos. Assim se explica que os homens se apresentem como homens primitivos de mocas na mão a galope de mamutes, entre dinossauros e insectos gigantes.

7 Million sapiens and many were really dumb.

devolution 3Neste mundo de monstros e trogloditas, persistem alguns seres humanos capazes, entre os quais uma jovem mulher que terá sido inoculada pelo pai, cientista, com um antídoto para o vírus. Sabendo que existirá uma reserva deste antídoto na cidade, inicia uma missão suicida para salvar a humanidade. Pelo caminho é capturada por alguns seres humanos que pretendem fazer dela a próxima concubina do chefe. Mas não por muito tempo – a discórdia entre os elementos deste grupo expande-se e acabam por fugir levando a jovem com eles.

Aos milhões, ou em escassas dezenas, os seres humanos mostram, durante esta história, uma imensa propensão para a quezília, para o conflito e para a guerra. Mesmo em pequenas comunidades em que os elementos se deveriam unir para sobreviver, existe quem sobreponha os seus interesses aos de todo o grupo pela ameaça e pela força bruta. Neste seguimento, a personagem principal, detentora da salvação para a espécie, chega a questionar-se sobre se valerá a pena resgatar a humanidade.

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Mirabolante, Devolution apresenta uma sucessão de episódios violentos numa sequência pouco coesa e pouco lógica. O fim, apesar de inesperado, deixa um gosto amargo, não pela falta de confiança na humanidade, mas por parecer forçado e pouco integrado com a restante linha narrativa.

O que se safa é, sem dúvida, o aspecto gráfico, onde se cruzam cenários urbanos degradados e habitados por todo o tipo de monstros, com selvas aparentemente mais calmas onde os poucos seres humanos perturbam a harmonia.

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