Escavação – Andrei Platónov

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Quando o comunismo extremo se concretiza na sociedade imaginada de Andrei Platónov, a identidade desaparece para que o indivíduo apenas exista como peça num conjunto maior, reduzido ao seu papel em grupo, ao seu lugar na hierarquia, ao qual deve corresponder com o mínimo pensamento possível.

Voschev procura algo mais. E por esse motivo procura descobrir o verdadeiro sentido da vida, acreditando que, quando o encontrar, será mais feliz e aumentará a produção. Tal justificação para o ócio durante as horas de trabalho não é bem recebida e despedem-no do lugar na fábrica. A sua próxima ocupação será num grupo de escavadores, encarregados de criar as fundações para um grande e importante edifício.

Construção distópica e satírica, de ambiente deprimente, cinzento, quase claustrofóbico, apresenta um conjunto de trabalhadores que acreditam fazer parte da transição para uma nova geração, ideal, criada fora do socialismo, representada pela criança que acolhem, símbolo de um futuro perfeito.

Sociedade de desconfianças (acredita-se sempre que existem alguém que está contra a transicção, seja por apresentar comportamento divergente, seja por se mostrar demasiado empenhado) em que os trabalhadores deixam que as mentes se desliguem no trabalho árduo, suga lentamente as forças dos que nela investem.

Uma distopia interessante escrita nos anos 30, apenas foi publicada em 1987 por causa da censura de que o autor foi alvo. Em Portugal foi lançada pela Antígona.

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