Starlight – Mark Millar e Goran Parlov

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O conceito de herói apresentado em Starlight é ingénuo e representa uma abordagem clássica, quase romântica na forma como transforma um comum mortal em guerreiro destemido. E, apesar da forma cliché como desenrola a narrativa, consegue ser uma das melhores histórias que li recentemente pela forma como consegue criar empatia e sentimento no leitor.

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Há muitos anos um homem da Terra salvou um planeta inteiro. Quando regressou, não trazendo provas para além de um fato de super-herói em poliéster, foi desacreditado e a história que contou tomada por embuste. Ninguém terá acreditado na viagem e muito menos no seu papel heróico, salvo a esposa, a sua alma gémea.

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Muitos anos depois, a esposa morre. Os filhos já constituíram as suas próprias famílias e, velhote, fica sozinho, recordando os tempos com a falecida mulher e as aventures que viveu naquele outro mundo. É nessa altura que uma nave surge do nada, em busca do herói que poderá, novamente, ajudar a salvar o outro planeta que se encontra, agora, sob o jugo de um ditador.

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Depois de alguma resistência, acomodado à vivência pacata, lá se deixa convencer pelo rapaz e viajam juntos, de volta. O que encontram é um ditador corrupto que apresenta publica e regularmente, a morte dos inimigos da nação, para desencorajar possíveis rebeliões.

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Nas ruas as situações injustas sucedem-se e o nosso herói decide, claro intervir. Apesar de lutar como um bravo é apenas um e acaba na prisão onde o expectável acontece – os prisioneiros são salvos pela resistência que assume o velhote como líder, não só pelo símbolo reconhecível que constitui para todos os cidadãos, mas pela experiência anterior.

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Acima de tudo, Starlight dá uma dimensão humana ao herói, um homem com as características físicas clássicas de uma figura masculina poderosa e correcta, expressas no quadrado do seu queixo, na postura elevada e recta mas acima de tudo, pelas acções, algumas impulsivas por boas causas, que revelam um sentido de justiça apurado.

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Apesar da força do herói, o facto de se nos apresentar como mais velho e consequentemente menos ágil confere-lhe uma maior proximidade, uma fraqueza humana que é compensada pela forma como se relaciona com os que o rodeiam, elemento que o torna um líder nato.

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É, assim, na forma como explora um herói mais humano, mais envolvente mas também mais dependente dos outros que Starlight se transforma numa emocionante e empática leitura, conseguindo inovar ao mesmo tempo que mantém os habituais elementos cliché dos heróis que, numa outra civilização, conseguem destronar déspotas e libertar povoações.

2 pensamentos sobre “Starlight – Mark Millar e Goran Parlov

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