Okja

O tom inicial é notoriamente jocoso, uma espécie de paródia às grandes companhias que apresentam organismos geneticamente modificados (OGM’s) como sendo seguros, ainda que não tenham feito grandes testes que lhes permitam esta afirmação. A solução perante o medo da população para aquilo que não entende? Apresentar novos seres como sendo naturais, seleccionados entre o melhor que a mãe natureza tem para nos dar. Uma mentira a bem do negócio, envolto em segredos guardados por seguranças militarizados.

A seguir o filme segue uma fórmula conhecida para nos fazer sentir empatia para com o ser geneticamente modificado e a jovem que dele cuida, uma sucessão de episódios que nos apresentam a parceria saudável e bem disposta entre um super-porco e uma rapariga sul-coreana. A sucessão é cliché, mas como qualquer fórmula resulta bem e confere, ao super-porco características humanizadas, fazendo-o parecer uma criatura inteligente, corajosa e sensível.

Este quotidiano enternecedor termina no dia em que a empresa, que distribuiu os super-porcos ao longo do globo, termina a experiência e recolhe os animais para os apresentar num concurso para lançamento de novos produtos no mercado. Alguns representantes deslocam-se à pequena quinta onde está o super-porco Okja, incluindo um biólogo estrela de televisão, extremamente conhecido que dá o espectáculo que se espera dele. De carácter caprichoso, este apresentador que pretende ser adorado por todos, coloca com facilidade um ar simpático e divertido, mostrando-se como o maior amigo dos animais.

Distraída pelo avô, a jovem sul-coreana só se apercebe que Okja foi levado quando já é tarde de mais. Desloca-se então à cidade para salvar o animal, sendo ajudada por um grupo pró-animal, ALF (Animal Liberation Front), um grupo que tudo faz para não recorrer à violência para atingir os seus meios, seja pelas armas que usa (que não matam), seja pela atitude persuasiva.

Paródia a vários estereótipos, seja o das empresas, gananciosas, que tecem múltiplos planos de desinformação e marketing ecologista (falsa propaganda para limpeza de imagem), seja o das entidades de libertação dos animais (que caem por vezes no exagero dos seus princípios, com incoerência entre a postura dos vários membros, e uma falsa postura de não violência) mostra que, no final, a forma mais eficaz de se conversar com quem possui negócio é através do dinheiro. Esqueçam choradinhos sentimentalistas ou simpatias – por detrás da cortina, são as notas que falam mais alto.

Sem chegar ao patamar da excelência Okja apresenta uma perspectiva cínica onde consumidores são alegremente enganados (dá jeito à carteira) fazendo com que estas empresas, corrosivas, ganhem terreno e controlo político.

Um pensamento sobre “Okja

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